Semana retrasada, fomos entrevistar Paulo Rafael, ex-guitarrista do Ave Sangria que toca com Alceu Valença até hoje. Foi um sufoco. Ele estava aqui para uma Feira de Música e ia passar só um dia em São Paulo. a entrevista aconteceria na qarta a noite, único horário que ele (e nós) tínhamos livre.
É claro que nosso professor de Ética Jornalística não nos deixou sair mais cedo da aula (mesmo que ele não tenha dado nenhuma matéria naquele dia, só entregado as notas). Certas políticas da Cásper e seus professores são inacreditáveis. Mas, beleza. O Paulo Rafael, extremamente gentil, topou fazer a entrevista às 23h de uma quarta feira.
Como foi tudo de última hora, estávamos sem máquina e não tiramos foto. Mas foi ótima a entrevista. Paulo Rafael é simpaticíssimo, o amigo dele que nos abriu a porta de casa para a entrevisat também, tudo ótimo. Saímos de lá meia noite e meia com histórias ótimas.
Alguns trechinhos:
“Quando eu entrei (na banda), o troço mudou. Eu entrando de algum jeito parecia que…. não sei se era o clima, se eu ia conduzir isso de uma maneira… Porque o Marco Polo é quem me incentivava a fazer isso, avalizava. Ele me conduzia, ele bem mais velho do que eu. Então, essa coisa que eu pensei, por exemplo de transformar em uma coisa mais palpável, menos esquisita do que era, menos sofrida. Acho que a história pra trás tinha sido muito batalhada, muito cheia de dificuldades. E aparentemente foi, fizemos esse show que era da porra, as músicas começaram a desenrolar, veio o disco, de repente, pooof”.
“Ao mesmo tempo em que a gente tinha uma disciplina muito grande, a gente era muuuito louco. A disposicão pra pular de abismo era ‘bora? Bora’. Vai todo mundo. Ninguém tinha medo. Não tinha medo de correr risco”.
“Eu acho que o Marco Polo cantava de uma maneira muito especial, eu levei muito tempo pra entender isso. Depois eu vi o jeito de interpretar, que é tão peculiar, que até hoje quando eu ouço assim eu digo: cara como é lindo. Pra mim é bonito pra caralho, tem uma mágica ali, ele canta com uma fragilidade, como se não soubesse cantar mais tá cantando, sabe como é?”.
“(O Israel, baterista, que suicidou-se anos mais tarde) era muito louco, bebia muito. Ele era muito bom baterista, e compunha umas musicas muito loucas. Eu fiquei muito junto com ele, a gente fico muito amigo, e ele morava num lugar lá e não tinha grana pra nada, e eu levava ele em casa pra ele pra comer, senão ele ia morrer de fome”.
No final da banda:
“Eu fiquei no Rio de janeiro, dentro de uma kitinete pensando, porra, o que foi, meu deus do céu. A gente foi atropelado. Um trem passou na frente da gente.
Era sensacional. Era uma banda sensacional. Tinha, porra, muito talento, muitas idéias, as pessoas tinham muito pique. Tem músicas maravilhosas, nunca esqueci. Mas, foi, não deu. Ma minha imagem é de uma coisa muito fantástica, muito boa. Eu guardo o Ave Sangria como uma coisa assim, porra, foi … pra mim foi a hora que fez assim. E pronto”.
Paulo Rafael, além de tocar com Alceu até hoje, é produtor musical e planeja lançar um disco em breve. Conheça o trabalho dele: www.myspace.com/paulorafaelguitar
Tati
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