Mais Serguei: relíquia de Zeca Jagger

Quando estávamos na casa de Ezequiel Neves, falando de Serguei, Zequinha teve um estalo. Foi ao quarto e nos trouxe um canudo, enorme, abriu. Dentro, esta relíquia:

Em 1975, ano em que ele, Luís Carlos Maciel e afins eram colegas, Serguei invadiu a redação e deu o pôster de presente para os jornalistas. “Eu acho que nem o Serguei lembra disso”, disse Ezequiel.

No detalhe, o autógrafo (clique para ver melhor):

“Sempre rainha, Serguei”. Luxo.


As Alucinações de Serguei

Serguei e Janis Joplin

Vcs gostam de Wanderléia? Nãoooooooooooooooooooo
Vcs gostam do Rei Roberto Carlos? NÃOOOOOOOOOOOOOOO
Vcs gostam de Serguei? Cric, cric, cric – silêncio………………..Então eu vou cantar as minhas alucinações!

(trecho de “As Alucinações de Serguei”)

Sergio Augusto Bustamante de pai e mãe… Serguei por vontade própria (“apelido” que ganhou de um amigo russo na infância), o maior outsider do rock nacional, como já disse Kid Vinil, Nelson Motta e muitos outros… UMA BICHA LOUCA, segundo a quase tão louca, ou mais – o amigo Zeca Jagger.

“É impossível contar a historia do rock sem envolver a figura de Serguei, pois foi num festival de rock em Long Island que conheceu Janis Joplin em 1968. Depois viu Jim Morrison tomando coloridas pílulas de Sunshine enterrado num sofá da sala do Motel “La Cienega Boulevard”; e ainda conheceu de perto Jimi Hendrix em Las Vegas. Mas a glória mesmo foi reencontrar Janis em 1970 para uma canja em seu show na boate New Holliday, no Porão 73 no bairro do Leme, Rio de Janeiro.” Luiz Calanca

Pois é, ele é psicodélico – como diz em sua própria música. Entrou para a galeria dos eternos, completa 73 anos em novembro e continua com alma de rock star! Não tem uma pessoa que tenha convivido com ele que não fale nada deste ícone. Era esse o papel dele… ser um personagem – e isso ele fez e continua fazendo muito bem até hoje!

Luiz Carlos Maciel, considerado o guru da contracultura, participou da entrevista coletiva de Janis Joplin (“melhor amiga de infância” de Serguei) aqui no Brasil – ele trabalhava no Pasquim. “Ah superstar, (Janis Joplin) era superstar! Já estourado em 67 e já tinha tido o Woodstock. Aqui (no Brasil) quem conhecia Janis Jopllin eram os fãs, Hélio Oiticica… Eu sentei lá na mesa e quando ela apareceu Hélio Oiticica disse assim: Não entendo como esses caretas dizem que essa mulher é feia? Essa mulher é lindíssima, então pra quem estava ligado ela era lindíssima, uma grande estrela, adoravam a JJ, agora quem não era ligado, nem sabia quem era, ela foi barrada num bar aí, no flag.”

E quem conta essa história com detalhes é ninguém menos que Serguei – amigo da moça – em entrevista à Revista Trip: “Nessa época, eu cantava num buraco chamado New Holliday, no porão 73 do Leme, Copa. Cantava coisas como ‘Satisfaction’ e ‘Tropicália’, abria o show da Darlene Glória. Quis levar a Janis lá. O gerente, um português, barrou-a na porta: ‘Esta mendiga imunda não pode entrar aqui’. Imagine, num bar de putas a Janis foi barrada! Briguei com o português e ela acabou entrando. Alcione estava cantando ‘Upa neguinho’. A Janis logo sentou e pediu vodca – sabe, quando você toma metadona dá muita vontade de beber vodca, e ela fazia tratamento com metadona, na época, pra sair fora da heroína. Tinha uma bandinha tocando, subi no palco e falei ‘com vocês, a maior cantora de todos os tempos’. Pedi para os caras a acompanharem, mas eles não sacavam a música, ficaram nervosos. Então ela soltou a voz e cantou ‘Ball and chain’. Meu Deus (Serguei emociona-se, chora)… O canto dela era sublime! A boate toda se levantou. Alcione gritou desvairada. Tony Tornado, que também se apresentava ali, tremia todo, sem camisa. O português se ajoelhou aos meus pés e pediu: ‘Puta que pariu! Como fui barrar essa maluca? Dá na minha cara, que eu mereço!’. Logo em seguida, ela cantou ‘What I’d say’, do Ray Charles. Foi lindo, a glória, uma loucura total. A boate inteira nos mandava bebida.”
Glamour e pagamento em álcool! Este é SERGUEI!

Pra quem quiser ouvir um “The Best Of” do moço:
http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=007529-2%3C@%3ESerguei&opcao=umcd#

Pra quem quiser VER como anda este setentão histórico, um vídeo:

Alma rebelde, cara de mocinho

Acabamos de voltar da casa do Ronnie, elegantérrima, no bairro chique do Morumbi.

Visivelmente surpreso com o sucesso repentino que está fazendo – são cinco ou mais entrevistas por dia -, e também bastante cansado, Ronnie foi gentil como esperávamos. Foi uma hora de gravação, cheia de boas histórias e a afirmação clara de que só agora sua fase psicodélica – ou “surrealista”, como ele prefere definir – está tendo o reconhecimento que merece.


Ronnie é bem diferente dos outros personagens do livro. Vem de família riquíssima, tradicional, estudou, tem bons modos. Mas, muito jovem, veio para São Paulo (ele é do Rio), largou tudo e foi morar numa pensão mequetrefe no centrão. Claro que a beleza estonteante do rapaz ajudou, e logo ele foi contratado por uma gravadora. Sempre orientado pelo “departamento comercial”, ele vendia horrores fazendo versões e músicas bonitinhas.

Hoje, tem horror ao primeiro disco. Ficou puto porque a Universal o relançou. Afirma e reafirma que o estereótipo de bom moço foram os outros que colocaram – e isso ele nunca foi. Os discos malucos dele, entre 68 e 72, foram uma tomada de fôlego, a oportunidade para mostrar quem ele realmente era. E ele afirma isso: aquilo é que era ele, não “Meu bem” ou “A praça”.


Ronnie lutou, lutou, lutou contra o estereótipo que lhe colocaram – mas, no fim, acabou se rendendo. Com mágoas, mas se rendeu.

Veja um aperitivo em que explica porque não entrou na onda do ácido:

Mais disso, só no livro. Qdo transcrevermos, colocamos um trechinho aqui.


As muitas faces de Von, Ronnie Von

Hey!
Estamos a caminho da casa de Ronnie Von… UHUUUUUUUUUU… mas antes, alguns vídeos do moço, belíssimo moço, pra quem curte. Não são vídeos psicodélicos mas mostram um pouco da carreira de Ronnie em fases diferentes. Pra quem curte o som, pra quem curte o rapaz, pra quem curte o blog mesmo…rs…

Ladies n Gents, Mr. Ronnie Von!!!!!!

Vídeo 1 – Mantendo a tradição de bom moço, o jovem Ronnie canta “A Praça” na Record

Vídeo 2 – Em 1977, nosso galã protagoniza a novela Cinderela, ao lado de Vanusa

Vídeo 3 – Em 1972 o gato garoto participa do filme Janaina – A Virgem Proibida ao lado de Marlene França, Raul Cortez, Cynira Arruda, Cyl Farney.


Quem te viu, quem te vê

Quem te viu…

Uma das coisas mais divertidas de fazer esse trabalho é descobrir o passado das pessoas. Estávamos eu e a Aline ontem, na casa da Amarílis.

Tradutora da MTV, consultora de músicas, vendedora de discos e o que mais pintar, conheci a Amarílis num barzinho, semanas atrás. Vi que ela tinha muitas histórias pra contar – além de ter crescido com Os Mutantes na Pompéia, produzia shows e festivais na década de 70. Bom, enfim. Ela vai aparecer mais por aqui. Estávamos lá, e ela chamou um amigo, o Jaques, do Kaleidoscópio, um programa de rádio de rock muito famoso na época.

Aí, no meio das ótimas histórias, Amarílis conta o seguinte:

O Ritchie era quem trazia os ácidos da Inglaterra. Uma vez, eu estava na casa dele, e ele abriu uma caixa de sapato lotada de ácidos. Dava pra encher as mãos

…quem te vê: capa do último disco de Ritchie, “Auto-fidelidade”.

Ps.: Amanhã, 14h30, vamos na casa do Ronnie Von. Alguma sugestão?

Arnaldo Baptista – Antes e depois dos Mutantes

Aqui vão dois vídeos pra quem gosta de Arnaldo Baptista. No primeiro, ao lado de Gilberto Gil, ele é entrevistado e comenta como foi ser convidado para participar de um festival. Gil conta como descobriram os meninos dos Mutantes e o repórter não se conforma com as declarações de Arnaldo, que deixa a modéstia de lado e fala o que pensa.

O segundo é um Arnaldo pós-Mutantes, século XXI. Dessa vez ao lado do jovem cantor Moisés Santana ele canta “Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?”, faixa de seu disco Loki?, de 1974.

Com vocês, Arnaldo Baptista!


Vendendo meu peixe: Entrevista com Lanny Gordin

Bom… estarei postando pois queria estar vendendo meu próprio peixe….

Ele é rei! Não é Roberto, nem Pelé mas é rei – da guitarra como Jimi Hendrix e outros grandes nomes. E o monarca tupiniquim acaba de lançar mais um de seus projetos, depois de um tempo em retiro. Duos, novo disco de Lanny Gordin, produzido por Péricles Cavalcanti e dirigido por Glauber Amaral chega ao mercado com clássicos – hits e hitmakers da MPB. Nessa entrevista, Lanny fala sobre o que criou de diferente neste CD. Ele explica seu novo jeito de tocar (poisé, ele tem MAIS um novo jeito de tocar), e fala sobre o estilo que criou. Glauber Amaral conta como surgiu a idéia do projeto e Edgard Scandurra revela como foi trabalhar com o mestre guitarrista.

Confira!

http://showlivre.uol.com.br/videos.php?conteudo_id=2390