Calanca: a moda e os bailes psicodélicos

Mais um pedaço do papo nostálgico com Luis Calanca, em que ele fala sobre a adolescência paulistana entre as décadas de 60 e 70.

A moda…

“A gente falava psicodelia, usava aquelas roupas, fazia os tye dye. Eu me lembro que eu comecei esse movimento, era a calça Lee. Então as pessoas andavam de tergal, a semana toda, e aí ao sábado botava a calça Lee desbotada, que escondiam. Aí começou a ter uma invasão daquelas jaquetas do exército, tudo furada a bala. Chegava contêineres lotados de fardas, que eram tiradas dos pracinhas que foram pro Vietnã mesmo e morreram, e era vendida nos países de terceiro mundo, inclusive no Brasil. O Roberto Carlos inclusive aparece na capa de um disco dele, de 69, 70, que é o que ele tá na areia, com um casaco do exército.

O Rei: casaco de defunto

E depois que começou a onda de silk screen, das pessoas estamparem frases na camisa, inclusive o Caetano fala em Baby. Todo jovem queria passar o que ele tava sentindo, se mostrar, a bandeira dele. As pessoas estavam se trajando igual à Janis Joplin, Jimi Hendrix

...e os bailes

“Quando eu quando vim pra São Paulo fui morar na Zona Leste, em Itaquera, e lá eu pegava baile de segunda a domingo, das 7 as 10. Tinha bailes nos clubes locais, com banda ao vivo tocando todo o sucesso de fora. Você fechava o olho e parecia que tava ouvindo a banda original, tocavam Byrds, Beatles, Jefferson Airplane. Todas essas bandas que faziam sucesso na época. Olha, eu peguei Mutantes várias vezes no circulo militar, no Tietê, no clube Ipiranga.

Naquela época todos os conjuntos tocavam com uniforme, babadozinho. Era comum as bandas usarem uniforme, tinha os donalds, em Itaquera tinha uns nomes engraçados. Os Terráqueos, Módulo k, eram todos bandas descoladas, bem mais famosos no bairro do que muita banda que tem disco hoje. Esses caras eram conhecidos em toda São Paulo e interior, às vezes a gente fazia loucura e ia atrás deles.

Isso acabou com a popularização da discoteca, que era a música mecânica, ficou muito mais barato os caras tocarem disco de vinil. Aí começou a mudar tudo, foi praticamente a falência de todas essas bandas. Aliás, tinha muita banda legal e que passou batido aí, que ninguém chegou a conhecer. Acho que 76 foi diluindo mesmo pra valer, entrou os embalos de sábado a noite e enterrou de vez essa cultura de musica ao vivo. Acabou, todos os salões viraram igrejas evangélicas”.



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