Salve Jorge… Mautner – A Psicodelia Kaótica com K

Eu sou doidão, eu sou doidão
Eu sou doidão, doidão, doidão
Mas tenho bom coração
Bão ba la lão, bão ba la lão
Ah, me esqueci do resto da canção
Que papelão
(“Doidão” – Jorge Mautner)

Virada Cultural – PARABÉNS para a organização da Virada Cultural. Apesar da Globo ter enfatizado o episódio Racionais MCs, o recorte foi mais do que injusto. A cidade estava linda, as pessoas estavam na rua, o Centro de São Paulo estava irreconhecível. Todos respirando arte – todos os tipos de arte. Muito bom! Quem foi, e circulou, concordará. A Sampa romântica da canção…

Bom, voltando ao tema do post: Jorge Mautner

*estamos marcando entrevistas com nomes que não fazem parte da nossa lista de personagens, mas que de alguma forma estão relacionados ao pensamento e à arte psicodélica, para uma parte de depoimentos do livro*

Domingo pós-primeira-rodada de shows, 6 de maio, 8h30 – sim… CEDO. Pouquíssimo tempo de espera e eis que sai do elevador, Jorge Mautner. Instrumento em mãos e mala pronta para embarcar, mas sem antes dar uma simpática entrevista…

Encantador. De inteligência única. Entrei no hotel com receio e saí apaixonada…rs… Brincadeiras à parte, Mr Mautner definiu o indefinível como poucos, apresentou uma nova abordagem da psicodelia – até então pouco explorada por nós, filosofou, e enfim definiu-se como Psicodélico Kaótico com K. Aqui, alguns trechos… o resto… só no livro!
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“Tudo que existe em um lugar reflete no outro. Esse novo movimento [a psicodelia] nada mais é que um novo existencialismo, uma afirmação da liberdade feminina e todas as condições que hoje se fala dos direitos humanos. Eu acho que é o ápice do romantismo na indústria. É o rock sem fronteiras, com musica erudita, etc. Aqui já se romperam as barreiras com a liberdade.” J.M.
Neste bate-papo, Mautner faz questão de enfatizar a importância da imagem no contexto psicodélico. Para ele, a psicodelia tem a “missão” de exprimir, tornar paupável, os sentimentos, as imagens, as sensações causadas pelas alucinações psicodélicas estimuladas pelo LSD, pelos cogumelos, mas principalmente pelo espírito romântico.
Interessado no assunto e tentando explicar seu ponto de vista, pergunta quais bandas vamos abordar no livro… Tenho um papel com todas elas anotadas, confesso, para não esquecer… Ele olha…

“Ahhhhhhh… pela lista vc já tem aí… olha só, Som Imaginário, né? O nome já diz e muito. Os outros do nordeste… deixa eu ver aqui… isso! O Ave Sangria! As imagens e os temas deles… O Lula Côrtes e o Zé Ramalho… imagina… é isso: é esse romantismo que tem algo de exaltação, de pirataria, mas tem uma grande preocupação com a harmonia, uma preocupação com a linha, com o equilíbrio, e tb é uma coisa muito trabalhada, o psicodelismo… ele tem … embora seja muito de irradiar emoções, sons, sensações ele tem uma preocupação muito grande organização tb, uma meticulosidade… em todos eles vc vê.”

Sim, ele sabia do que estava falando! Se pararmos para observar as músicas do Ave Sangria, ouvir, sentir a canção, criamos as imagens perfeitamente na cabeça. O apelo visual da banda, tanto nas capas coloridas, quanto nos shows performáticos… Entendemos direitinho a interpretação de Mautner em relação à psicodelia.
“[O Ave Sangria] Tem uma pulsação vital muito forte. Elas já não são músicas depressivas, elas indicam o caminho da alegria – mas uma alegria que ainda não precisa ser só gargalhada… solar… pode ser até uma alegria melancólica, nesse clima de romantismo, impressionismo. Mas eles [os psicodélicos] ainda tem uma preocupação de grande harmonia. Finalizar, de enquadrar direito. Todos eles são muito claros, na intenção”
Mas afinal Sr Jorge, é isso aí? De onde vem essa loucura romântica?
“Cada geração tem que reconquistar a sua liberdade, então sempre vai surgir a novidade… que é a somatória lá de tras né, da pré-história, da nossa história, revoluções transformadas em arte e comunicação, se transfromando continuamente… aliás o Brasil é o exemplo máximo disso por causa da amálgama. ”
Tá, ok, entendido!
Falamos de classificações, de definições e ao contrário do que a grande maioria prefere fazer, simplesmente dizer que classificar é errado, ruim, ele filosofa. Classificar, em sua visão, é um jeito de aprofundar e organizar. Desde que não exista a necessidade de se prender aos rótulos, todo tipo de definição é válida. “A classificação é uma tentativa preponderante racional de tentar interpretar a emoção que aquele fenômeno está te despertando. E na profundidade tudo tá parado e em movimento ao mesmo tempo. E na visão intuitiva dessa arte psicodélica você já tem essa junção… como arte”, encerrou.
Palmas para Jorge Mautner!
Para quem não conhece… CONHEÇA! www.jorgemautner.com.br
Para os que conhecem e queiram ver… ANTES E DEPOIS:
Jorge Mautner na década de 70, cantando Guzzy Muzzy, do disco homônimo de 1974

Jorge Mautner e seu fiel parceiro Nelson Jacobina recém cantando “Herói das Estrelas”



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