Paulo Ricardo, The Doors, e um resquício de psicodelia

Sobre o tema Huxley, Doors, etc, um texto de Paulo Ricardo (?!?!) que saiu hoje, 27 de agosto, na Folhateen… Detalhe para a assinatura modesta do gato

Portas abertas
Discografia completa dos Doors é relançada em CDs cheios de bônus

PAULO RICARDO

ESPECIAL PARA A FOLHA

As Portas. Eu sempre me perguntei que raio de nome era este, que soava bem em inglês mas não fazia o menor sentido em português. Até que conheci William Blake. E Rimbaud, Baudelaire, Ginsberg, Timothy Leary, caras que, se você nunca ouviu falar, meu caro teenager, pode começar a pesquisar.Foi aí que descobri que o nome The Doors foi tirado de um poema do tal William Blake, “The Doors of Perception”. “Abra as portas da percepção, etc…”. “As Portas da Percepção” também foi o título que Aldous Huxley deu, em 1954, para o livro em que narra suas experiências com a mescalina.

A WEA relança de uma vez, com encartes cheios de fotos, comentários, todas as letras e várias bonus tracks, a coleção completa dos Doors, uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, seis CDs gravados em inacreditáveis cinco anos, entre 67 e 71, sem dúvida um dos períodos mais férteis e produtivos do século 20. Não por acaso James Douglas Morrison conheceu Ray Manzarek no curso de cinema da UCLA. Realmente, o que se viu/ouviu quando eles abriram as “portas” foi cinema transcendental da melhor qualidade.

A poesia delirante de Morrison, serpenteando sobre o blues surrealista da banda, expandiu as fronteiras da música pop como muito poucos. E não só, Jim viveu intensamente cada canção, protagonista alucinado 24/7 de sua própria loucura, o Rei Lagarto em pessoa. Ninguém sai daqui vivo.”The Doors”, o primeiro, é um dos mais poderosos álbuns de estréia de todos os tempos. Chega a ser irônico abrir os trabalhos com um petardo do calibre de “Break on Through (To the Other Side)”, verdadeiro hino ao rock’n’roll. Não bastasse, ainda traz “Light My Fire” e termina com a edipiana “The End”. Fala sério… Os caras mantiveram o nível com “Strange Days”. “People Are Strange”, “Love Me Two Times” e “When the Music’s Over” são algumas das atrações dessa viagem. “Waiting for the Sun”, o terceiro, não é páreo para os anteriores, mas “Hello, I Love You” vale o CD. No quarto, “The Soft Parade”, Jim já está pra lá de Kashmir, como se pode perceber pelas fotos. “Touch me”, ele diz, mas prefiro tocar o próximo, “Morrison Hotel”, um dos meus favoritos, que abre com o clássico “Roadhouse Blues” e recupera o pique inicial dos Portas.

A despedida fica por conta de “L.A. Woman”, que além da faixa-título também cravou “Riders On The Storm” no mármore da história. Jim Morrison é hoje um dos maiores ícones do rock. Sua imagem dionisíaca em camisetas espalhadas pelo mundo, um dos poucos eruditos dessa cultura pagã, um poeta do primeiro time, um quase cineasta que fez de sua vida seu blockbuster. Morreu de overdose de tudo aos 27 anos, gordo, barbudo, numa banheira de hotel em Paris, onde vivia. Maiores detalhes no excelente filme de Oliver Stone, “The Doors”. Close the windows, open the doors, light my fire, let it roll, baby, roll, all night long!

PAULO RICARDO DE MEDEIROS , 44, foi jornalista musical nos anos 80, antes de se tornar astro do rock

One Comment on “Paulo Ricardo, The Doors, e um resquício de psicodelia”

  1. Ana Paula disse:

    heuaheuahueahuehauehauheauheuaheuaheuaheuahueahuehauehauehauheuaheuaheuaheuaheuaheuaheuaheuaheuahuehauhhe

    só li a assinatura!


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