A Tomada da Pastilha

 

Entrevistamos o Marsicano há algum tempinho. Figuraça. Ele nos mandou um texto que escreveu; este que publico agora neste humilde espaço. O músico falou, refletiu e filosofou sobre a neo-psicodelia.

 

A TOMADA DA PASTILHA

 

“Não sou anão, sou concentrado”

Nelson Ned

 

Rave no Rio. Imerso no lótus roseolaranja do crepúsculo carioca, encontro-me no Parque de Diversões Terra Encantada diante a uma enorme coluna de alto-falantes que está sendo erguida para o mega evento que começará à meia noite. Uma imensa nuvem dourada esboça no céu a forma de um dragão. Penso nas encantadoras ravers Fê e Martina. Num quiosque de mini-pizza aguardo com o DJ Anvil FX e a produtora Luci a passagem de som.

RAVER INTERIORANO

Degusto uma mini-pizza e alguns doces multicores, quando me vem à cabeça a lendária rave em São Carlos, interior de São Paulo, quando apresentava-me com o DJ Ramilson Maia (inventor do drumin’bass). A multidão de dançarinos ululava quando a música foi interrompida quando subi ao palco. A multidão estática esperava ansiosa (bota ansiosa nisso). Mais de cinco mil pessoas na pista e os”técnicos” não conseguiam amplificar meu som: A cítara estava totalmente muda. Ramilson sinalizava arfante aos operadores que tentavam de tudo sem nada conseguir. (Depois fiquei sabendo que o responsável pela sonorização havia ido dormir). A multidão gritava desesperada quando sobe ao palco num pulo um estranho raver interiorano. Verdadeira simbiose entre clubber e cowboy, era um gigante de mais de dois metros envergando um grande chapéu de rodeio e o cabelo verde “raver”. Trincado, armado, e com duas latas de energetizante Pit-Bull na mão, o Tecno-Sérgio Reis bicudão gritava: Toca aí cara!Toca aí!!!

OS SETE ANÕES RAVERS

O parque está sendo fechado e apenas o pessoal da rave tem permissão a permanecer no local. Peço mais uma mini-pizza, enquanto Anvil FX sorve goles fartos de uma fanta laranja geladíssima. De repente, sete anões performers do parque acercam-se e sentam à nossa mesa. Pelo jeito, estavam querendo passar-se por ravers evitando assim o salgado ingresso de cinqüenta reais. Via a cena em 3-D que primava pela extrema surrealidade: Um deles, o Atchim, ia direto ao banheiro e de óculos escuros, saía bicudão bailando em ritmo techno. Sua atitude irreverente e debochada provocava a ira do Zangado que não parava de criticá-lo. Mas o ponto alto do encontro foi o momento em que um dos anões (o Risonho) entregou-me algo parecido com os flyers das raves. Era o panfleto de sua candidatura à deputado federal pelo Partido Verde (“Apoio cultural Gabeira”). Sorridente e bem falante qual político tarimbado, distribuía as filipetas, exclamando sem parar:

– Vote em mim! Vote em mim para deputado federal!

O negão pizzaiolo ao receber o impresso, indignado exclamou:

– Isso é um absurdo! Sabe que você não tem estatura para assumir um cargo público no Congresso Brasileiro!

– Sou o Candidato das Minorias! Exclamou incisivo o baixinho…

Em meio a confusão, o Atchim reaparece de mãos dadas com uma louraça sueca raver de dois metros de altura:

– É isso aí pessoal, disse ele todo prosa, saindo furtivamente com ela rumo a um curioso castelinho (da Bela Adormecida) que ficava a nossa frente. Aproveitei a deixa para perguntar ao Zangado se o Atchim era realmente um garanhão:

Que garanhão nada! Respondeu sarcasticamente o Zangado: No mês passado fomos contratados para uma performance numa casa noturna em Hamburgo (em St. Pauli) e os gays alemães atiravam o Atchim para cima e o encaixavam qual jogo de biboquet!*

 

 

Aline

 



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