Solar da Fossa

Recebi na segunda-feira 16 um release da Editora Record que me deixou animadíssima: o lançamento do livro “Solar da Fossa”, de Toninho Vaz, que retrata os bastidores da pensão que abrigou nos anos 60/70 os grandes personagens da contracultura no Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo desse livro direto da boca de Zé Rodrix e Tavito, que moraram naquela pensão nos loucos e longíquos 70´s. Na entrevista que eu e a Aline fizemos com eles para o TCC, em 2007, os dois contaram para a gente histórias absurdas da turma de desbundados que vivia ali. Eles comentaram, sem maiores detalhes, sobre o livro que estava sendo escrito. Quase dois anos depois, eis que recebo o release da Editora Record:

“Histórias e canções de um templo da contracultura
Livro de Toninho Vaz lembra o lendário Solar da Fossa, que durante os anos 60 abrigou artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola

Entre 1964 em 1971, a pensão Santa Terezinha, instalada em um casarão colonial em Botafogo, tornou-se um dos mais importantes pontos de encontro da contracultura carioca. Apelidada de Solar da Fossa, era habitada por aspirantes a poeta, atrizes, cantores e jornalistas, até ser demolida para dar lugar a um shopping. Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Maria Gladys, Mauro Mendonça e Paulo Coelho foram alguns dos que passaram por lá, onde criaram canções e poesias e deixaram lembranças. Neste livro, o jornalista Toninho Vaz, autor de Paulo Leminski: o bandido que sabia latim, reconstitui a vida artística e criativa que ocupou esse folclórico lugar. SOLAR DA FOSSA acaba de chegar às livrarias pela Editora Record”

Fiquei empolgadíssima. Não comentei nada nos blogs porque queria tentar uma entrevista. E tentei: enviei dois emails às assessoras, sem nenhum retorno.

Eis que hoje abro o Caderno 2, do Estadão, e me deparo com a notícia de que o Toninho está processando a Record. Segundo ele, a editora lançou seu livro à revelia. Ele entrou na segunda-feira 16 com uma liminar para impedir que a obra seja comercializada. A Justiça aceitou.
Toninho Vaz alega que a Record lançou, na verdade, uma versão inacabada e “tosca” do livro. Os originais foram entregues à editora no início de 2007 – o plano do escritor era que o livro fosse lançado em 2008, na comemoração de 40 anos de 1968, o que não aconteceu. Toninho, então, pediu que o material fosse devolvido. E foi. O autor acrescentou mais 20 páginas aos originais, e incluiu também uma introdução de Ruy Castro. Planejava lançar a obra por outra editora – planejava, porque soube por um amigo que seu livro (ou melhor, os originais inacabados) chegaria às lojas nessa semana.

“Eu, Toninho Vaz, não reconheço o livro que por ventura estiver nos próximos dias nas prateleiras das livrarias”, escreveu o autor em seu blog.

Segundo o Estadão, a Editora Record afirmou, por meio de nota, que pagou pelos originais, da maneira como estava previsto o contrato. “Confiamos estar levando ao leitor uma obra importante que retrata um período marcante da indústria cultural do Rio de Janeiro e do País”, diz o texto.

Haverá uma audiência em 20 de maio. A Record terá que pagar multa de R$ 20 mil ao autor se o livro continuar à venda – e, pelo jeito, vai precisar colocar a mão no bolso porque em uma rápida pesquisada na internet é possível encontrar “Solar da Fossa” à venda.

Para saber mais sobre o Solar da Fossa:

Relato da Gal Costa e entrevista com Toninho Vaz.

Tati
(Foto de Fernando Angulo/SP)



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