Fellini canta Loki

Música original do mestre Arnaldo Baptista.

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Sempre loki

A Aline me chamou no msn: “O Arnaldo vai estar lá hoje!”. Fui voando.

Chegamos cedo. Assim que pisamos no Cinesesc, o homem título do filme estava lá, feliz, com uma cara ótima. Recebia a todos os que o cumprimentavam com um abraço, sob o olhar atento da mulher e guardiã Lucinha. Fumava um cigarro atrás do outro e volta e meia encontrava um amigo-loki das antigas, com quem trocava palavras, afagos e sorrisos.

Queria sentar lá, trocar uma idéia, tirar foto, pedir autógrafo, sei lá. Mas deu vergonha. Quando passou a vergonha, era a hora da sessão. Mais groupies, impossível: éramos os primeiros da fila, hahahahaha. Tudo bem. Pegamos nossos lugarzinhos e embarcamos na viagem.

O documentário, como dito, é uma produção do Canal Brasil. Apesar de uma ou outra inovação e quadros diferenciados, tem um formato televisivo, simples e linear. A trajetória de Arnaldo Baptista é narrada de forma doce, com muitos fatos, depoimentos de figurões, imagens de arquivo (que, de fato, são maravilhosas), mas com – na minha opinião – um excesso de rasgação de seda, uma coisa meio exagerada e desnecessária. Ninguém precisa dizer e repetir que o Arnaldo é foda, que ele é gênio, que isso e aquilo. Os fatos falam por si.

Arnaldo Baptista é convidado pelo diretor a pintar um quadro (ofício a que ele se dedica desde o acidente) que represente sua vida. É tocante. Não vou contar os detalhes. Mas alguns trechos renderam muitas lágrimas. Arnaldo sente muito, mesmo. Até hoje. E isso é muito triste. A história dele rende uma mistura de tristeza, por tudo o que aconteceu, mas também de esperança, de redenção. Porque a mensagem que o filme passa é a de que hoje, depois de tudo o que passou, Arnaldo descobriu como ser feliz. A sua maneira particular de ser feliz – não igual aos outros, mas e daí? A mulher dele, a Lucinha, conseguiu tirá-lo daquela busca pelo sucesso, pela fama, pela tal normalidade, pela aceitação, e fez ele entrar em um mundo especial.

Pontos altos:

– As imagens de arquivo dos Mutantes. A Rita Lee loirinha, de franjinha. Os três fazendo graça. Demais.

– O quadro pintado por Arnaldo. Tocante.

– O depoimento de Antonio Peticov.

– O depoimento do Sérgio Dias. Ele pede desculpas ao irmão. Emocionante.

– O olhar emocionado de Dinho.

– O final da sessão. Os cinco minutos de aplauso. Ver o Arnaldo lá, inteiro, de pé, feliz, sorrindo. Mesmo depois de tudo.

– E, claro, abraço que demos nele e a merecida foto-tiete, que outro dia eu posto aqui.

Pontos baixos:

– A falta de sensibilidade. Porque o filme fala de uma barreira muito tênue: a loucura e a lucidez. Até que ponto é legal ser louco? Pode ser engraçado, mas pode ser muito triste. E há momentos no filme em que a loucura não tem a menor graça. Arnaldo, no auge de sua depressão, convidou Peticov para uma viagem de disco voador. No filme, quando Peticov narrou a história – muito sério – a platéia riu. E isso não é nada engraçado.

– Excesso de elogios. É claro que o filme tem um tom elogioso, e blablabla. Mas, né? Não precisa de Zélia Duncan repetindo mil vezes o quanto Arnaldo é foda, o quanto ele é a encarnação da “balada do louco”. Desnecessário.

A última chamada para ver o documentário no cinema é no domingo 26, às 17h, no Unibanco Arteplex (Shopping Frei Caneca, Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso). Não deixe de ir!

Tati


Documentário sobre Arnaldo Baptista

Da Folha Online:

Festival aplaude biografia sobre Arnaldo Baptista

O filme mais aplaudido na disputa da Première Brasil no Festival do Rio 2008 não é uma ficção e não será lançado nos cinemas. O documentário “Loki -Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle, foi ovacionado pela platéia (de pé) durante cinco minutos, no sábado à noite, no Cine Odeon.

Primeiro longa-metragem produzido pelo Canal Brasil, o título estreará exclusivamente na grade da emissora. Exibições em salas serão restritas a outros festivais.

“Tenho minhas dúvidas se todo documentário tem que ir para o cinema. Acho que a gente tem que investir e apostar no caminho do documentário na TV”, afirma o produtor-executivo do filme e gerente de marketing e novos projetos do Canal Brasil, André Saddy.

Cinebiografia do músico Arnaldo Baptista, o longa revisita sua história, desde a criação dos Mutantes até a rotina atual, dedicada às artes plásticas, na casa em que vive, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

No início do filme, Arnaldo Baptista cita os grandes capítulos de sua vida –“o acidente e quase morte, a paixão pela cantora Rita Lee, os Mutantes” etc.– e dá início à pintura de um quadro em que representará “as partes de sua identidade como uma evolução”.

No centro da tela, ele escreve “sinto muito”. É uma expressão de duplo significado, como explicou, no dia seguinte, à Folha: “Meu modo de ser é levado por essa frase, que envolve o fato de pedir desculpas e o fato de eu possuir uma sensibilidade acima de uma certa etapa”.

As relações de amor de Baptista –tanto com Rita Lee, cujo rompimento derivou no fim dos Mutantes, como com a atual mulher, Lúcia Barbosa– compõem o cerne do documentário, ao lado da trajetória da banda, recuperada em arquivos de foto e vídeo.

Sobre Rita Lee, que ele começou a namorar na adolescência, quando ela lhe “lembrava a Michelle, do The Mamas & The Papas”, Arnaldo diz: “Eu tinha um gosto que talvez não conseguisse expressar por ela. Foi a minha primeira mulher. [O universo feminino] era algo misterioso para mim”.

A respeito de Lúcia, fã que cuidou dele nos três meses de internação hospitalar, após sua tentativa de suicídio, em 1982, e a quem ele chama de “minha menina”, Baptista afirma: “A força de Lucinha ia entrando em mim e eu passei a ver a enorme diferença que existe entre o homem e a mulher”.

O diretor diz que tentou ouvir Rita Lee, que se recusou a falar, “mas foi solícita em liberar as imagens de arquivo”.


Agora sim: Detalhes, trechos, entrevistas e + sobre o livro de Arnaldo Baptista

 Capa/Divulgação

 

Hey! Agora sim! A quem interessar possa, detalhes sobre o recém-lançado livro de Arnaldo Baptista, um de nossos Mutantes preferidos! Para ler entrevista (sobre o romance) de César Guerra Chevrand, clica aqui.

REBELDE ENTRE OS REBELDES

Arnaldo Baptista

Ícone do rock and roll nacional, reverenciado por platéias de todo o mundo, Arnaldo Dias Baptista revela agora mais uma de suas facetas. Depois da música e do trabalho com artes plásticas, em quadros, desenhos e camisetas, o eterno líder dos Mutantes convida seus leitores para uma viagem espacial em seu livro de estréia.

A aventura interplanetária de Rebelde entre os Rebeldes tem início com a descoberta de um segredo guardado nos subterrâneos de uma antiga casa na Califórnia, Estados Unidos. Especialista em engenharia nuclear, Maggie descobre acidentalmente em seu banheiro uma passagem para os laboratórios do Dr. James Harness, um genial cientista, morto há mais de cem anos. Decidida a investigar o misterioso esconderijo deste pesquisador solitário, ela tem uma grande surpresa ao encontrar em seus aposentos uma nave espacial, construída com base em conceitos revolucionários… continua

***

Para os curiosos, um trechinho:

MAURO
A transmissão continuou por toda a duração da “Sonata ao Luar”. Quando a música acabou, os habitantes da Fobos assistiram com uma certa nostalgia à lenta desaparição das naves, uma para cada lado, como se seus tripulantes estivessem tristes por não mais ouvir àquela música, mas aliviados e renovados pela experiência pela qual haviam acabado de passar.

Quando todos achavam que a página já estava virada e se preparavam para dormir novamente, o alerta no painel de controle disparou mais uma vez. Mauro olhou para Horácio em busca de uma explicação para mais aquela preocupação:

– Há o que se chama de um torvelinho temporal na direção da nave alienígena – esclareceu o computador.

– E o que vem a ser isso, Horácio? – Maggie indagou.

– Me parece que, se continuarmos a nossa rota pré-estabelecida, haverá um encontro temporal entre a nossa nave e a dos alienígenas. Há uma grande agitação de poeira cósmica no rastro da nave deles, indicando que estão em um tempo ainda por vir para nós. E a grande coincidência é que o tempo futuro no qual estão vivendo e a localização espacial de sua nave são exatamente os mesmos que alcançaremos ao seguirmos os cursos planejados de nossa viagem.

– Minha nossa, Horácio! Isso quer dizer que nós somos os alienígenas num tempo remoto!

– Puxa vida! – disse Mauro – Como pôde ter acontecido isso? Por que lutamos contra os terrestres?

– Meus senhores, não devemos sair de nossa rota agora, pois seria uma manobra um tanto bisonha e improdutiva para nossos objetivos.

– Mas então o que vamos fazer? – perguntou Maggie

– A nave alienígena ainda está há uma longa distância no futuro, se mudarmos nossa direção, a deles também poderá mudar e fazer com que nossas tentativas não surtam efeito algum. Recomendo prosseguirmos com os sensores ligados na direção dos alienígenas permanentemente. É provável que quando cheguemos mais perto deles, os sensores nos indiquem os específicos movimentos que devemos fazer, não deixando tempo hábil para que a nave alienígena também se movimente como conseqüência de nossa própria movimentação. Creio que os sensores captarão alguma forma de energia do torvelinho, nos indicando para onde devemos nos mover, a fim de afastarmos o perigo de uma colisão física. Enfim, precisamos desviar apenas o necessário, sem sairmos de nossa rota, para não corrermos o risco de ficar vagando no espaço sem direção. Caso contrário, poderíamos ir de encontro a nós mesmos e acabar numa encruzilhada tão obscura que impossibilitaria uma mudança de conduta.

Alguns silenciosos minutos se passaram, todos pensavam na idéia de Horácio mas hesitavam em tomar uma decisão. Até que Mauro sentou-se na poltrona de frente para a tela e mostrou toda a força especulativa de sua mente privilegiada. Falou num tom explicativo, como quem expunha uma teoria ainda incerta:

… continua aqui

 

Aline


Ar-now-do Baptista! Mais do que recomendação

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Saiu hoje no JT!

Ex-Mutantes lança livro de ficção científica

São Paulo – Além de uma música revolucionária, que mudou a face dos anos 60 e ecoa ainda hoje, o ex-Mutante Arnaldo Dias Baptista faz desenhos, quadros e camisetas que dá de presente aos amigos. Agora, uma nova faceta de sua carreira multimídia vem à tona: a literatura. A Editora Rocco lança no início de abril o livro Rebelde Entre os Rebeldes, uma ficção científica de Arnaldo que foi escrita há mais de 20 anos, mas permanecia inédita.

Tem um disco antigo do gaúcho Ney Lisboa, uma espécie de Tom Waits sulista, intitulado Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina, de 1983. Não há expressão melhor para definir a ficção de Arnaldo Baptista. A viagem interplanetária do Príncipe do País dos Baurets é totalmente delirante, uma espécie de Star Wars hippie, escrita num ritmo e linguagem que não existem mais, de tão delicados e fluentes.

“Eu não sei se essa experiência já ocorreu com você, leitor, mas às vezes estou andando ao lado de um amigo em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana ou qualquer outra grande avenida, com a fortíssima materialidade das lojas me levando a só acreditar no que se vê e, apesar disso, sinto algo especial”, escreve Arnaldo.

Em maio de 2006, ao lado de seu irmão Sérgio Dias, Zélia Duncan e Dinho Leme, Arnaldo ressuscitou por um breve período, um ano, o sonho psicodélico chamado Mutantes. Durou pouco, mas reanimou um pequeno exército de maluquetes bacanas. Com seu livrinho temporão, mais eflúvios deverão vir à tona. As informações são do Jornal da Tarde (AE)

God Save the King!

Aline


Ahhhhhhh Ar now do

Bueno, news, news, news…

Arnaldo Baptista vai falar conosco por e-mail…(!?) Mário Pacheco, biógrafo do moço, já foi contactado… vamo que vamo…

Enquanto isso, a mídia especula sua saída dos Mutantes. Sergio Dias declara oficialmente que o irmão não aguentou a pressão… vamos ao outro lado da moeda (Posts retirados desse blog aqui):

Arnaldo Baptista sai dos Mutantes para cuidar de projetos pessoais

Sérgio Dias está só à frente dos Mutantes. Acabo de receber um e-mail de Lucinha, mulher e anjo da guarda de Arnaldo, me adiantando um comunicado que será distribuído à imprensa. No post abaixo, com o comunicado da saída de Zélia, Sérgio já me adiantava que Arnaldo possivelmente não participaria das gravações do novo disco. Agora está confirmado. Segue o comunicado de Arnaldo Baptista:

“Vivi um momento lindo com a volta dos Mutantes. Foi um retorno histórico. Sempre houve uma grande expectativa em relação à volta dos Mutantes. Com o reencontro e com os vários shows, pude perceber que a expectativa não era apenas um culto à nossa produção musical, mas uma afirmação de que nosso trabalho resistiu ao tempo e ainda tem a mesma vitalidade de 40 anos atrás. Cumpri a minha empreitada nessa nova jornada de nossa trajetória. Agora, resolvi dedicar-me às minhas formas de fazer o som. E também me dedicar a alguns projetos pessoais. Entre eles:

– O de livro sobre minha vida e obra;

– O lançamento, pela Editora Rocco, de meu livro de ficção “Rebelde Entre os Rebeldes”;

– O lançamento, em CD, de dois discos meus ao lado da banda paulistana Patrulha do Espaço. Com shows especiais.– E uma exposição itinerante com minhas obras imagéticas, desenhos, pinturas, camisetas e objetos.”No post abaixo, a saída de Zélia e uma entrevista com Sérgio Dias sobre o futuro da banda. The dream is over ou the show must go on?

  

Zélia Duncan sai dos Mutantes e Sérgio Dias lamenta muito

A cantora Zélia Duncan anunciou sua saída do grupo Os Mutantes depois de quase um ano e meio como vocalista da lendária formação dos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. Em comunicado, Zélia afirma que sua saída se deve aos “motivos mais legítimos do mundo”: sua carreira solo.

Fã desde sempre dos Mutantes, Zélia viu a oportunidade de participar do grupo como um sonho que ela nunca tinha imaginado, porque não achava possível, como todos nós, que houvesse uma volta. Sérgio Dias me disse que lamenta muito a saída, que as portas estão sempre abertas para ela e que começa a gravar um álbum de inéditas dos Mutantes dia primeiro de outubro. A seguir a íntegra do comunicado de Zélia:

“Pois é, estou me retirando dos Mutantes, pelos motivos mais legítimos do mundo. Minha carreira, meus movimentos como artista solo , que sempre fui. A experiência foi incrível. O improvável aconteceu ali, apesar de um monte de previsões duvidosas, eles acreditaram em mim e vice-versa e juntos vivemos emoções e realizações inesquecíveis. Algumas registradas, outras guardadas nas compilações internas , aquelas que vão pra onde eu for junto comigo. Acredito que a hora de me retirar seja tão importante quanto foi aquele encontro mágico com Sérgio. Fez um bem enorme pra minha carreira, pra minha vida e para as minhas futuras coragens.  Eu que sempre quis me sentir banda, fui parar no olho do furacão! E adorei! Obrigada Sérgio , Arnaldo e Dinho, por me deixarem ser ali, junto com vocês, enquanto durou…pra sempre! Ainda nem sinto meus pés no chão… Obrigada ao público dos Mutantes que me recebeu e compreendeu minha posição ali. Obrigada ao meu público por ter comparecido e se divertido comigo.  Tô bem  aqui do lado, sempre procurando na música um sentido pra mim. Valeu, valeu muito mais do que eu poderia imaginar!”
 

A participação de Zélia no microfone que pertencia originalmente a Rita Lee foi polêmica. Muita gente meteu o malho mesmo antes de ouvir, como se heresia fosse ela aceitar o convite de Sérgio.  A primeira apresentação foi em Londres, 22 de maio do ano passado, no evento “Tropicália – A Revolution in Brazilian Culture” promovida no Teatro Barbican.  O Brasil teve que esperar até 2007 para ver a banda, primeiro em São Paulo no final de janeiro no aniversário da cidade e, em seguida, no Rio de Janeiro. Os últimos compromissos foram uma turnê pela Europa e Estados Unidos.

De São Paulo, acabando de acordar, Sérgio Dias lamentou a saída de Zélia, afirmando que estava difícil conciliar as agendas: “Ela está num momento forte da vida dela e os Mutantes exigem demais, esta foi a questão mais séria,  a gente estava tendo que parar de tocar por causa disso. A Zélia não é uma mutante, ela é uma transformer. Ela era nossa convidada e nada impede que volte sempre, a carteirinha de Mutantes é para sempre”. Acrescentou que Zélia provou que os Mutantes podiam transcender qualquer pessoa (leia-se Rita Lee) e que ela foi uma “puta dádiva musical, pessoal e profissional” para a banda.

Sérgio anunciou outra possível baixa, a do irmão Arnaldo: “A turnê foi muito longa e extenuante para ele, que está muito fatigado. Até não conseguiu fazer três shows da turnê, o que foi uma pena para nós”. Sérgio não sabe nem se Arnaldo participará das gravações do primeiro disco com inéditas que começa a ser gravado dia primeiro de outubro. Ele contou que já tem cinco músicas, algumas dele, outras em parceria com Tom Zé. E não está pensando em substituição para Zélia, com a observação de que as portas estão abertas para ela e também para Rita Lee. O novo disco sai em março, ou antes disso, e já existe uma turnê 2008 pela Europa e Estados Unidos em andamento. “Wish me luck”, disse Sérgio.