Marcelo Zona Sul – trilha psicodélica

“Marcelo Zona Sul, filme de Xavier de Oliveira, interpretado por Stepan Nercessian. Foi lançado em1970, com grande sucesso em todo o país. As canções “Marcelo” e “Renata” compostas por Denoy de Oliveira e interpretadas pelo grupo gaúcho Liverpool Sound foram muito executadas nas radios naquele ano.” – explica o youtube 😉

Sobre o Liverpool, banda que ganhou um capítulo inteiro em nosso livro:

Liverpool (1970) (RS)

Liverpool foi a banda brasileira que mais perto chegou da criatividade mutante na época, porém, seu vinil nunca foi digitalizado por uma grande gravadora e alguns heróis hoje compartilham pela internet o pouco do que sobrou. preste atenção na psicodelia de “olhai os lírios do campo”, “impressões digitais” e “voando”, todas mostrando o quanto mimi lessa e sua guitarra eram dignos de serem cultuados eternamente. Fughetti luz é autor do hino “campo minado”, imortalizado pela bandaliera e foi um dos grandes responsáveis pela formação do bixo da seda (que saberemos mais num próximo capítulo). hoje vive no interior do estado, porém ainda percorre os becos portoalegrenses produzindo músicos e bandas como a já citada (e extinta) bandaliera e também barata oriental (quarteto oitentista que retornou de longo retiro espiritual em 2004). mas, da psicodelia que o liverpool emanava, ficaram apenas as lembranças. Marcelo zona sul é trilha sonora do filme de 1970. perdido pelas locadoras ou acervos particulares de porto alegre.


Tropicalismo Gaúcho

Estamos em meio a milhares de coisas… reta final do livro. Buscando diagramadores, revisores, fotos, arquivos, escrevendo muito, escrevendo demais, escrevendo exaustivamente…

Mas, eis que chega um texto do nosso gaúcho preferido, Rogério Ratner – que nos ajudou muito com o Liverpool. Ele está fazendo um livro sobre o rock dos pampas, de 60 e 70, e aqui está um pouquinho do que ele se propôs a fazer.

O Tropicalismo na música gaúcha

Por Rogério Ratner

O Tropicalismo foi um movimento musical importantíssimo ocorrido no final dos anos 60, que concentrou músicos de diversos locais do Brasil, mas muito especialmente baianos e paulistas, e revolucionou a Música Popular Brasileira. Os gaúchos também tiveram a sua cena tropicalista, com algumas características próprias, como veremos a seguir. O trabalho destes músicos (compositores, cantores e instrumentistas) gaúchos sempre teve, desde os anos 60 – e mantém até hoje – uma importante influência na música  feita no Rio Grande do Sul a partir de então, embora esta influência algumas vezes não seja  percebida imediata e  explicitamente, mesmo em face da “normalização” operada em relação a alguns elementos estéticos então invocados, tornando-os ínsitos ao próprio idioma procedimental da moderna música urbana gaúcha e do rock feito aqui. 

Falando-se mais especificamente acerca do Tropicalismo feito no Rio Grande do Sul, cumpre destacar que alguns dos artistas que foram identificados com o movimento, não raro, mantiveram ou mantêm uma postura de um certo distanciamento ou  ambigüidade quanto à assunção de tal identidade. O fato é que, até onde temos conhecimento, não houve uma declaração expressa do “lançamento do movimento Tropicalista no RS”, ou a divulgação de um manifesto, e muito menos a gravação de um Disco-manifesto tal como fizeram baianos, paulistas e a carioca Nara Leão, o LP Tropicália, sendo que esta última circunstância merece ser lastimada pesarosamente, pois realmente há  um certo vácuo na memória da música popular gaúcha em relação a tão rico período, em face da falta de registro sonoro de muitas das canções relacionadas a tal estética. Portanto, bem diferentemente do que ocorreu no centro do país, não houve aqui uma articulação teórica que estabelecesse uma linha de atuação acabada e conjunta dos músicos, de forma a serem  reconhecidos enquanto um movimento articulado, em sua relação com a imprensa, com os músicos de outras tendências e com o público, o que, sem embargo, e curiosamente, como veremos, absolutamente não impediu que a cena local fosse extremamente rica, fértil, criativa, pujante e destemida, e em intensidade, e guardadas as proporções, consonante com o “barulho” feito no eixo Rio-SP.  (…)

 Pra ler na íntegra, é só clicar aqui!