Plantando cenouras na sua cabeça

Animação para a música “Cenouras”, do grupo Som Imaginário (que contava com, entre outros, Zé Rodrix, Tavito e Wagner Tiso – e teve formação com Milton Nascimento e Naná Vasconcelos). Do disco “Som Imaginário“, de 1971

Eu hoje tenho um assunto delicado pra falar com você
Eu muito tenho meditado sobre a vida que você esqueceu
Você está com a cabeça virada para o nada
e não procura nem saber o que eu penso e o que faço
Eu acredito que você ainda tem uma pequena chance
e eu encontrei a solução pro seu caso
e lhe proponho um tratamento pra você melhorar
Eu vou plantar cenouras
Na sua cabeça



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Som Imaginário em ação

E não é que eles chegaram a gravar um programa Ensaio?

Incrível.


Sá, Rodrix & Guarabira gravam novo CD

O trio Sá, Rodrix & Guarabira está de volta aos estúdios. Bastante popular na década de 70, quando foi criado, o trio está gravando um novo álbum de canções inéditas em São Paulo. A previsão de lançamento é novembro deste ano.

Algumas das novidades do repertório são as faixas O Dia do Rio e Amanhece Um Outro Dia. Em 2001, Sá, Rodrix & Guarabira haviam gravado seu último disco, Outra Vez na Estrada Ao Vivo, projeto que também deu origem a um DVD homônimo. O lançamento trouxe algumas canções inéditas, como o rock Jesus Numa Moto.

Os primeiros shows de lançamento do novo álbum de inéditas devem acontecer no palco do Guairinha, no Teatro Guaíra, em Curitiba, nos dias 14, 15 e 16 de novembro.

Do Terra.

Tati


Psicodelia Brasileira Recomenda: Wagner Tiso no Sesc

Wagner Tiso foi uma das cabeças do Som Imaginário, os fãs gostem ou não. E o pianista desembarca em São Paulo para uma apresentação ao lado do guitarrista e violinista Victor Biglione.
Fica a dica! 😉
Aline
WAGNER TISO E VICTOR BIGLIONE 
SESC Santana
Dia(s) 12/03
Quarta, às 21h.
 
Neste encontro entre o compositor, instrumentista e arranjador Wagner Tiso (piano) e o guitarrista e violonista Victor Biglione (violão), o improviso dá o tom da apresentação. No repertório do espetáculo ‘Tocar – A Poética do Som’, há clássicos como: Na Cadência do Samba (Ataulfo Alves, Paulo Gesta, Matilde Alves), Samba de Uma Nota Só (Newton Mendonça e Tom Jobim) e composições próprias como: 7 Tempos e Nave Cigana. Recomendado para maiores de 7 anos. Teatro.
R$ 16,00 [inteira]
R$ 8,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino]
R$ 4,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Trechos, pareceres e outras formas psicodélicas de escrever

Bueno, estamos na reta final final do final do finalzinho MESMO.  Cinco capítulos já foram revisados e entregues para a diagramação, feita pelo GRAAAAAAAAANDE Thiago – que tem quebrado um galho gigantesco, afinal, lidar com três meninas loucas sem a menor noção de gráfica, impressão, diagramação e afins não é fácil.

Estamos tentando marcar um dia com o calanca para poder fotografar direito as capas dos discos que vamos citar no livro.

Também já começamos a correr atrás de avaliadores pra banca. Até agora, pensamos em Carlos Calado e Fábio Massari… espero que aceitem…

Mas, o bom é que tá tudo liiiiiiiiiindo, como diria Caetano. E pra aproveitar os dizeres alheios, como enfatizaria Lanny Gordin: Mais um dia.

UFA!

Para instigar os que curtem nosso trabalho… aqui seguem alguns trechos dos capítulos prontos:

Introdução

Imagine uma sociedade cinzenta. Nessa sociedade, havia um oásis colorido. Pense em paz, amor, Woodstock, Monterey, guitarras de Hendrix, tons de Joplin, Greatful Dead, The Mamas & The Papas, Ravi Shankar, Steppenwolf, Beatles, Rolling Stones.  Adcione pitadas de excentricidade brasileira: batons vermelhos, roupas berrantes, cores. Flores. Muitas flores. Punhados de lisergia, cogumelos, peiote, LSD, maconha, jurema, ayhuasca. Cabelos compridos, barbas mal feitas, pensamentos indomáveis, repressão, Carlos Castañeda, ditadura, Thimoty Leary.  Jeans desbotados, bordados, roupas usadas, batas indianas, vestidos e saias compridas, tecidos naturais. Cheiro de Patchouli.

Misture com liberdade em grandes doses. Muita liberdade. Encha a mão, não tenha medo, porque esta, além de dar gosto, dita o caminho. Aproveite os tão renegados instrumentos elétricos e coloque junto alguns batuques e tambores afro, sanfonas, triângulos e tudo que lhe parecer interessante da cultura tupiniquim. Embarque na levada da Tropicália e siga sempre rumo à inovação. Contra o arroz e feijão, a macrobiótica. Plantações de inhames devem vir antes dos enlatados.

Não simplifique! Arranjos em quatro por quatro não são bons sinais. Ouse. Invente. Transgrida. Por que não um sete por três? O impossível não existe. Solos de guitarra, baixo, bateria, flauta, zabumba, cítara, que passem dos dez minutos levarão o público à loucura. O negócio não é ser pop, mas sim criar um novo jeito de tocar. Junte todas as tribos – hippies, cocotas, caretas, desbundados – este último em maior escala. Religiões orientais podem dar um tempero extra. Transcenda-se.

Pense nisso tudo concentrado, feito em acetato e tomando forma de vinil. Deixe maturando por pelo menos trinta anos, até uma nova geração resgatar o bololô e exigir explicações para tentar entender o que saiu dali. As boas histórias são o que valem e as lembranças dessa época brilhante e colorida ficarão gravadas para sempre. Agora em forma de livro.

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Módulo 1000

Em um show em Brasília, em 1972, tudo corria como de costume. Os garotos subiram no palco, tocaram, foram bem recebidos, até começarem os primeiros acordes de “Turpe est…”. Imediatamente subiram quatro homens vestidos com ternos pretos, óculos escuros, e começaram a desligar os cabos dos instrumentos no meio da apresentação. Levaram a banda para  a direção de um carro. Fizeram-nos entrar. “A única coisa que eu pensei nesse momento é que iria morrer. Adeus, mamãe; adeus, papai; adeus, maninha; adeus, Zepelim – meu rato de estimação”, brinca Romani. Ficaram todos dentro de uma salinha enquanto os homens da censura perguntavam qual era a mensagem subversiva contida naquela música. Em certo ponto perceberam que os meninos diziam a verdade e que, o único fato em questão, era o de que eles acabaram de pagar um grande mico. Liberaram o Módulo 1000. Hoje, uns lembram-se do causo enquanto outros juram que ele não aconteceu.

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Nordeste

A I Feira Experimental de Música do Nordeste, que aconteceu em onze de novembro de 1972, reuniu a “juventude prafrentex” de Recife. O “Woodstock cabra da peste” não deixou nada a dever para o original californiano: lendas dão conta que a platéia divertia-se tomando ácido dissolvido em baldes de Q-suco. Foi entre aquele “pôr e nascer do sol” que subiu ao palco uma recém-formada banda, ainda sem nome, composta por jovens músicos da periferia do Recife.

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Ronnie Von

Na mídia, o fracasso retumbou. À época do lançamento, apenas dois jornais – “malucos”, diria o cantor – deram aval positivo à pérola psicodélica. O Jornal do Brasil, no Rio, com a manchete “A que veio Ronnie Von” e o Estado de S. Paulo, com duas páginas sob o título “Ronnie, esse desconhecido”. O resto “descia o pau”.  “Eu me senti, assim, um ladrão da gravadora. ‘Pegou o dinheiro e jogou fora’. Eu era profundamente perseguido por muita gente, era uma coisa sistemática. Tinha um jornalista, não me lembro o nome, que escrevia vinte notícias: dezenove de futebol e uma era sempre ‘Ronnie Von é homossexual’, ‘Ronnie Von é ladrão’, ‘Ronnie Von é não sei o que’”, desabafa. E o fracasso refletiu na auto-estima já abalada do não mais “Pequeno Príncipe”.

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Serguei

Serguei chocava com sua posição andrógena anos antes de Ney Matogrosso surgir com os Secos e Molhados. “Hoje se fala muito em Marylin Manson. Eu já era Marylin Manson antes de Marylin Manson existir!”, compara, fazendo questão de lembrar que foi um dos primeiros a usar interlace (técnica de entrelaçamento de fios para fixar perucas) no país e que adotou de vez as flores como acessórios quando Rita Lee um dia as colocou em seus cabelos. “Fica tão bem em você”, disse na ocasião a vocalista dos Mutantes, grupo “altamente psicodélico”, segundo ele. “Rita Lee é a rainha do rock no Brasil. Pode gravar até disco music, não tem problema, coração. Ela tem um toque de Midas do rock’n’roll, onde bota o dedo vira rock”, derrete-se.

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Som Imaginário 

Nessa época, Zé Rodrix e Tavito moravam juntos, em uma espécie de comunidade com o guitarrista Marco Antônio Araújo. O trio constituía a “Família Matadouro”, devido à enorme quantidade de mocinhas arrebatadas por eles. Funcionavam como um relógio: os músicos dormiam das 6h às 10h da manhã, iam à praia, em Copacabana; voltavam da praia, normalmente com uma garota, e dormiam até as 18h. Acordavam, tomavam banho e iam para os shows, e depois seguiam para o Sachinhas, de onde só saíam às 6h da manhã. Em casa, só andavam nus. Para ter algum controle, penduravam avisos como “nesta cama é proibido trepar”. Às vezes, doidões, passavam o dia todo desenhando. E sempre esqueciam de pagar a conta de luz. Um dia, tomaram um ácido e a luz foi cortada; acenderam um lampião e ficou a família toda viajando ao som de The Band. Em outra ocasião, foram fazer turnê em BH por uma semana. Na volta, quando eles chegaram no hall do apartamento, deram de cara com uma desagradável surpresa. “Quando a gente olha, tinha vermes saindo pela porta. Uma trilha que ia até a geladeira. Tinha acabado a luz e na geladeira apodreceu bife, carne”, lembra Zé Rodrix.

Aline


Psicodelia Brasileira Recomenda: Lançamento de livro do Zé Rodrix – RJ/SP

Para paulistanos e cariocas…

Zé Rodrix está lançando o último livro de sua trilogia, Esquin de Floyrac, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Para os fãs, fica o convite – dia 16 de setembro, 14h, no Café Literário da XIII Bienal do livro do Rio de Janeiro, 17 de setemnbro, 19h, na Livraria Argumento (RJ), 19 de setembro, 18h30, na Livraria da Vila. Para os que não conhecem o lado escritor do músico, um comentário de Luis Eduardo Matta, do site Digestivo Cultural:

“Na minha opinião, Zé Rodrix é um dos mais importantes nomes do romance brasileiro contemporâneo e juro que não consigo compreender como a mídia ainda não reconheceu isso ou, pelo menos, não da maneira como este extraordinário escritor merece. Zé Rodrix, nome artístico de José Rodrigues Trindade, é uma das figuras mais versáteis da cultura brasileira contemporânea. Maestro, compositor, cantor, arranjador, publicitário, ator, professor, escritor e dono de uma inteligência prodigiosa e um enorme carisma, Zé Rodrix demonstra em Zorobabel: Reconstruindo o Templo, como a criatividade, aliada a uma maneira clara e certeira de contar uma história, pode produzir uma obra literária de vulto e, ao mesmo tempo, de grande apelo junto aos leitores. Zorobabel: Reconstruindo o Templo, é o segundo volume da Trilogia do Templo, que teve início com o igualmente extraordinário Johaben: Diário de um Construtor do Templo, lançado em 1999 e deverá ser fechada com chave de ouro, em 2007, com Esquin de Floyrac: O Fim do Templo. O romance mistura realidade e ficção para reviver um período conturbado da Antiguidade, que começa no auge do Império Babilônico, época em que as tropas de Nebbuchadrena’zzar (Nabucodonosor) invadiram Jerusalém e destruíram o bíblico Templo de Salomão, provocando a primeira diáspora judaica e culmina com a queda da Babilônia em poder dos persas comandados por Cyro, o Grande. O protagonista é Zorobabel, um jovem judeu que cresce como escravo na Babilônia e, depois da libertação de Jerusalém pelos persas, torna-se governador da Judéia, reedificando o Templo. Trata-se de uma saga épica e fascinante sobre os primórdios da Maçonaria que, assim como o primeiro volume da trilogia, só encontra paralelo na literatura brasileira, no que Nélida Piñon realizou com o seu maravilhoso Vozes do Deserto. O livro tem mais de seiscentas páginas que são lidas com voracidade em uma semana, se tanto. Um dos grandes romances brasileiros publicados no século XXI, que irá fascinar todos aqueles que adoram um livro repleto de aventura, capaz de nos transportar até um passado, cuja magia, permeia o nosso imaginário há séculos.”


Hey man

Duas bandas que vamos tratar neste trabalho têm uma música chamada “Hey man”. O engraçado é que o Som Imaginário e o Ave Sangria não se conheciam. “Hey man” do Som Imaginário saiu em 1970; “Hey man” do Ave Sangria, em 74.
Os assuntos tratados nas duas músicas são tão diversos quanto a origem e formação das duas bandas. Mas não deixa de ser uma questão emblemática.

Hey Man (Som Imaginário)
Sua cidade
De vidro e aço
Prende você
Seus documentos
E as duplicatas
Cegam você

Hey hey hey man (2x)

Você precisava da taça de ouro
Que você só viu por de trás das vitrines
Você precisava beber nessa taça
Que você pagou com o sangue
Que nela bebeu

Só que nesse instante você foi feliz
Você é feliz quando pode
É que nesse instante você foi feliz
Você é feliz quando deixam

Hey man (Ave Sangria)

Hey man,
Você precisa correr mais riscos do que eu
Hey man,
Pobre de quem não percebeu
Hey man,
Você precisa correr tanto risco quanto eu
Hey man, pobre de quem não se perdeu

Ela subiu pela colina correndo vestida de amarelo
Corpo suado e maneiro, ela me viu e não se escondeu
Uma sensação me deu
Não quero nem saber
Rolei com ela pelo chão

Hey man,
A vida é feita de pedaços do céu
Hey man,
Pobre de quem não teve o seu
Hey man,
A vida é feita de pedaços do céu
Hey man,
Pobre de quem não teve o seu

Ela subiu pela colina correndo vestida de amarelo
Corpo suado e maneiro, ela me viu e não se escondeu
Uma sensação me deu
Não quero nem saber
Rolei com ela pelo chão
Não quero nem saber
Rolei com ela pelo chão(2x)