Bananas ao vento

Na reunião com o Wellington, ele nos passou “Bananas ao vento – Meia década de política e cultura em São Paulo”. O autor é Jefferson Del Rios, nosso já citado ex-orientador. Ler o livro foi uma delícia, só deu essa dorzinha no coração de saber que ele poderia nos ajudar muito com alguns personagens. Mas, tudo bem.

O livro é uma delícia de ler, leve. Jefferson relata carinhosamente o que viveu em São Paulo entre 1964 e 1971 – em linguagem jornalística, com muitos nomes e informações. Em “Bananas ao vento”, a contracultura paulistana é destrinchada na música, no teatro, no cinema e nas artes plásticas. Na música, começa pela adolescência paulistana de Chico Buarque, passa pelos bastidores dos Festivais, fala sobre os barzinhos no centro, sobre a Tropicália – quando ainda era um movimentozinho de uns baianos magricelos em SP.


Símbolo da contracultura: Dois perdidos numa noite suja, Plínio Marcos

No teatro, que é explorado com paixão, Jefferson vai de Plínio Marcos e “Dois perdidos numa noite suja”, em 66, ao Grupo de Teatro da Cidade que revelou Sônia Braga. Fala também dos cineastas Rogério Sganzela, diretor do clássico “Bandido da Luz Vermelha” e Andréa Tonacci, dos escritores José Agrippino de Paula e Mario Prata, de Antônio Benetazzo, militante e artista morto pelo regime militar aos 31 anos – isso, só para citar alguns. Fala também dos circuitos e rixas universitárias, ações da repressão e dos cursinhos alternativos. Enfim, fala de todos que estiveram envolvidos na vanguarda e na contracultura paulistanas da época.

Ah! “Bananas ao vento” é um verso de Geléia Geral, poema de Torquato Neto musicado por Gilberto Gil, um dos hinos tropicalistas: “Um poeta desfolha a bandeira/E eu me sinto melhor colorido/Pego um jato, viajo, arrebento/com o roteiro do sexto sentido/Voz do morro, pilão de concreto/Tropicália, bananas ao vento”

Esse vai entrar pra bibliografia do trabalho, com certeza.

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Mais Geração Bendita: S. Quimas

Hippie de corpo e alma, Quimas é o diretor no Instituto Geração Bendita. Morador de Nova Friburgo, tinha só dez anos quando ainda existia a comunidade Quiabo´s – mas se dedicou com afinco a resgatar a história de sua cidade. Ele respondeu meu email em menos de meia hora e explicou como rolou a reedição do filme.

Olá Tatiana.
Um prazer para nós receber teu e-mail e saber do teu interesse.
Já há alguns anos estamos desenvolvendo um trabalho relacionado à cultura alternativa, cuja a expressão na web é o nosso site, o É Isso Aí, Bicho!
Muita coisa começou ainda no início da década de 70, quando foi produzido o filme Geração Bendita, o primeiro (e único) filme hippie brasileiro, que ao ser proibido pela censura, sofrendo vários cortes, foi relançado com o título É Isso Aí, Bicho!, sendo novamente proibido e confiscado pela Censura Federal, permanecendo inédito até os dias atuais.
Assim, resolvemos procurar o filme e encontramos os negativos no MAM-Rio, através de intensa procura de Carlos Doady P. Teixeira, um dos produtores e atores do filme e atualmente, meu sócio na produtora Light and Dreams, que é a responsável pelo site.
De modo independente, restauramos os negativos, telecinamos a película, remasterizamos o som e produzimos o DVD do filme para distribuição em todo o mundo através de nossa loja virtual.
Foi um caminho árduo, que envolveram mais de três anos de trabalho e grande soma em dinheiro, pois, infelizmente, não contamos com o apoio financeiro de nenhuma outra produtora.
O DVD do filme se encontra disponível em sete línguas, incluindo mesmo o japonês.
O nosso objetivo é gradualmente ir resgatando a memória dos movimentos alternativos e, também, divulgar arte, cultura, filosofia, entre outros conteúdos relevantes, através de nosso site.

Em nosso site há diversas informações. Necessitando de algo, basta se comunicar conosco. Será sempre um grande prazer atendê-la.
Luz, paz e amor.
S. Quimas
Diretor do Site É Isso Aí, Bicho!”


Geração Bendita

Minha gente,
Isso aqui todo mundo precisa assistir. A Aline pescou essa pérola no You Tube, eu queira é ver o filme inteiro. “Geração Bendita – É isso aí, bicho” foi produzido numa autência comunidade hippie em Nova Friburgo, 1971. Essa comunidade – Quiabo´s – existiu de verdade, por uns três anos. Carlos Bini era o diretor e o protagonista – um advogado que larga tudo e vai para a comunidade.

A trilha sonora foi feita pela banda Spectrum, formada por uma molecada na faixa de 20 anos de Nova Friburgo. O disco, genial, hoje é vendido no mercado gringo por alguns milhares de dólares. Dps falamos mais dela.

Vejam o trailer (destaque para o narrador, e para a trilha, claro):

Update:
Fuçando na internet, achei o Instituto Geração Bendita. Ao que parece, é um grupo de pessoas que buscam resgatar o ideário hippie:

“O Geração Bendita é o ponto de encontro alternativo na aldeia global, de todas as pessoas que buscam restaurar o humanismo como ideologia fundamental (…). Contudo, não estamos falando do humanismo antropocêntrico e exclusivista, mas daquele que busca a realização da plenitude da natureza humana, sintonizando o homem com o Meio Ambiente e o Cosmo e, assim, tornando-o consciente do seu papel sublime: a responsabilidade de ser colaborador no aperfeiçoamento das condições de seus próprios semelhantes, como também, do restante que compõe as múltiplas facetas da Natureza que o abriga”.

Ali, estão informações preciosas sobre o filme e sobre a Spectrum. E o melhor: relanaçaram Geração Bendita em DVD, ano passado!
Custa 30 mangos – e dá para comprar aqui.


Problema resolvido – Novo orientador

Nosso projeto pré-dominação-do-universo-visível já tem mais um adepto… tudo bem, não é voluntário, mas garantimos muita diversão (e trabalho) ao nosso novo orientador. Monsieur Welington Andrade, professor de técnicas de redação da Cásper Líbero e recém nomeado vice-diretor da faculdade.

Sorte!

É isso aí, bicho, vamo que vamo!


Ezequiel Neves


Enfim, conseguimos falar com o lendário produtor superhomem Ezequiel Neves… sim, o responsável pela descoberta de Cazuza e intenso participante da década de 70 atendeu o telefone, rs…
Bom, a real é: estamos caminhando muito bem! VIVA!!! Temos uma conversa pré-marcada com o Mr. Neves semana que vem, seguida por outra conversa com o expert Senhor F no próximo final de semana… parece que vai dar tempo de entregar o projeto do jeito que gostaríamos… quer dizer, o PRÉ-PROJETO… ONE to go, ainda nosa falta um belo bate papo angendado com Ana Maria Bahiana. Quem puder ajudar…


Danado pra catende

Para começar bem:
Ave Sangria – banda pernambucana, depois falamos mais dela – tocando com Alceu Valença, “Vou danado pra catende”.

Sentiu?


É isso aí, bicho

Pois é, bicho. Aqui começa a nossa suada e sofrida trajetória, para conseguir documentar a tal piscodelia brasileira. A idéia do tema surgiu ano passado. Conhecemos alguns discos da época e vimos que o experimentalismo e a psicodelia no rock nacional começou antes e foi até bem depois d´Os Mutantes. Felizmente. Nos apaixonamos.
O trabalho de conclusão de curso será um livro-reportagem, que virá com uma coletânea em cd com as bandas mais representativas da época. Ok, tema e formato definidos, vamos ao trabalho.

No ano passado, fechamos o grupo – Tati, Aline e Ana – e escolhemos nosso orientador. Professor de jornalismo cultural, Jefferson Del Rios, viveu – intensamente, diga-se de passagem – toda a psicodelia brasileira. Perfeito.

Primeiro problema: delimitação do assunto. E aí, onde começa e onde acaba isso? O que, afinal, pode ser definido como psicodelia brasileira? Muita discussão, uma longa conversa com o Calanca, da Baratos Afins, depois e… nada. Nenhuma luz. Durante as férias, muita leitura. Ana Maria Bahiana foi quem conseguiu iluminar um pouco nossa cabeça e o Fernando Rosa, o Senhor F, trilhou melhor o nosso caminho.

A entrega do pré-projeto: 7 de março. Fodeu, pensamos em coro. Vamos correr. Depois de uma reunião na Mercearia São Pedro, resolvemos melhor nossos personagens e por onde começar: vamos aos jornalistas, quem viu de camarote a cena, e o mestre inspirador, Ronnie Von. Até março, então, já devemos ter entrevistado Ana Maria Bahiana, Ezequiel Neves, Fernando Rosa e Ronnie – que grava todos os dias lá no prédio da facul.

Já contatamos todos – e Ronnie, pela facilidade de acesso, seria o primeiro. Pediram uma carta da faculdade, explicando o projeto e solicutando a entrevista. Depois de muitos emails (não respondidos) ao Jefferson, a bomba: ele foi demitido da faculdade.

Ótimo. Em cima da hora e sem orientador, é assim que começa a nossa história. Com a ajuda de quem sabe ou quer saber… é isso aí bicho!