Rosa de Sangue nas lojas!

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Essa é para os colecionadores e amantes da psicodelia brasileira: começou a pré-venda de uma prensagem limitadíssima do disco “Rosa de Sangue”, gravado em 1980 pelo pernambucano Lula Côrtes. A edição é limitada em 500 cópias e o preço é justo: R$ 124,99. Vale muito a pena porque esse disco nunca chegou às lojas, por causa de uma disputa judicial com a gravadora. Ou seja, essa é a ÚNICA chance de ter a bolacha em casa. Rola também baixar o disco (o link está abaixo), mas a qualidade não está muito boa.

“Rosa de sangue” é maravilhoso do início ao fim. Para quem não conhece, Lula Côrtes foi o cara que gravou com Zé Ramalho “Paêbiru”, considerado o maior expoente da chamada psicodelia brasileira. Lula é um personagem folclórico no Recife: músico, poeta, artista plástico, agitador cultural. Nos anos 70, conviveu com todo o povo do udigrudi e foi, digamos, o mentor da contracultura pernambucana – se não fosse ele, acreditem, talvez o mangue beat não teria surgido. A turma de Lula (incluindo aí o Ave Sangria) foi a primeira a misturar o frevo e ritmos regionais ao rock´n´roll. “Rosa de Sangue” é isso: são frevos, forrós, guitarras nervosas e até cítaras em “Oração para shiva”, na mistureba clássica dos sons da contracultura brasileira.

Além do som ser ótimo, as letras também são bem legais:

Dos Inimigos

Dos inimigos
Temos medo ou revolta

De quem nos ama
Temos todo coração

Dos que se perdem
Temos pena ou remorso

Dos que se encontram
Vemos a satisfação

Dos que se negam
Vemos marcas no seu rosto

De quem não ama
Como é triste o seu viver

De quem não vê
Vejo a falta que ele sente

Inutilmente
Nós sentimos o seu sofrer

Do acusado
Já se sente a solidão

De quem não pensa
Vejo gestos tão confusos

De quem não ama
Como é triste o seu viver

De quem não vê
Vejo a falta que ele sente

Inutilmente
Nós sentimos o seu sofrer

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Para baixar o disco, clique aqui (via BrNuggets).

Para comprar a bolacha, vá à Record Collector ou à Rare Records.

Tati

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Valeu, Zé

“Músico, compositor, maestro, arranjador, ator, autor, pintor, publicitário, professor e jornalista”. Assim era definido Zé Rodrix em um release que eu recebi. Fiz piada, mas a verdade é que ele era tudo isso mesmo. E, além de tudo, uma das pessoas mais legais que já conheci. Sem exageros.

Estive na casa dele há pouco mais de um mês, para uma entrevista que eu acho que não vai mais sair. Linda casa, com um jardim florido e um pomar carregado, passarinhos cantando, uma cachorra orelhuda e gente boa, detalhes coloridos por todas as partes, um altar carregado de santos. Uma casa que pulsava vida. Tive o privilégio, mesmo que por pouco tempo, de ouvi-lo dedilhar o violão junto com a filha igualmente talentosa Bárbara, de 18 anos. Enquanto o fotógrafo fazia as fotos do pai e da fiha, os dois se olhavam e tocavam seus violões como se o tempo tivesse parado – até que o fotógrafo alertasse: “Zé, olha para a câmera!”. E ele olhava, posava, ria.

A primeira vez que eu o vi simpatizei de cara. Zé Rodrix é o tipo do cara gente boa, que dá vontade de sentar e conversar, que dá vontade de ser amigo. Foi em 2007. Eu e Aline o entrevistamos, junto com o parceiro de longa data Tavito, para nosso TCC. Zé contou histórias cabeludas, fez piada, e demonstrou o tempo todo o carinho imenso que tinha pelo amigo antigo.

Zé Rodrix era doce, e foi tão legal comigo no dia em que eu era só uma estudante pedindo entrevista quanto no dia em que eu fazia reportagem para um veículo grande. Ele era cantor, compositor, músico e tudo aquilo mesmo, mas também era um pai fantástico, um amigo incrível, uma pessoa genial – tinha uma inteligência afiada, mas passava longe da arrogância.

Criou seis filhos de cuca legal e tinha uma casa maravilhosa, cheia de livros e discos. E vida.

Hoje o dia está lindo, mas eu amanheci mais triste. Zé Rodrix faleceu de repente, ontem à noite. Não estava doente, não teve nenhum sintoma. Foi rápido e repentino. Ele era jovem. Lançaria, em breve, um disco novo com Sá e Guarabyra. Tinha 61 anos.

Eu desejo toda a força do mundo à Bárbara e à Júlia, esposa dele, e aos outros filhos e órfãos.

Boa Viagem (Zé Rodrix)
O fogo sempre vivo, o corpo nunca para
E ninguém consegue mais lhe segurar
Essa casa está pequena pro seu ritmo de vida
Qualquer dia desses vai voar pra longe
As mãos que eram tranquilas nunca mais se cruzaram
E ninguém consegue mais lhe segurar
E por mais que faça força essa casa está pequena
Qualquer dia desses vai voar pra longe
E eu que tinha a mais completa certeza
De que ia envelhecer feliz ao seu lado
Vai passando o tempo e se apagando o meu fogo,
E o seu fogo vai crescendo cada vez mais
A porta está aberta, por mais triste que seja
E eu não quero nem tentar lhe segurar
Onde o fogo queima forte, deixa só poeira e cinza
Abra as asas e pode voar
Boa viagem.

Abaixo, trecho (ruim, eu sei) da entrevista que eu e Aline fizemos com ele no Caiubi.

Tati


Se os anos 60 tivessem Twitter…

Tirei daqui. Em tempo: no Twitter, somos @tatikmd e @lolarastaquoere. A Ana ainda não se rendeu.

Tati