Mais documentários

Como já dito por aqui, está rolando o ótimo festival É tudo verdade. Infelizmente não consegui ver ontem o Geração 68. Rolou uma sessão no CCBB-SP com debate depois, mas as obrigações familiares me impediram de comparecer. Em compensação, grata surpresa a noite. Fui sem muita esperança no Cinesesc, nem tinha consultado a programação. Chegando lá, muita fila, alguns famosos – destaque para a presença ilustre de Sandy e seu namorado Lucas – e nenhuma esperança de conseguir entrar para a sessão das 19h de Coração Vagabundo, o documentário sobre Caetano. Estávamos na fila “da esperança”, a de quem não tinha ingresso e ia tentar entrar mesmo assim. 19h50 abriram os portões… e conseguimos! Sentamos no chão, lá na frente, e mesmo assm foi ótimo. O filme é sobre Caetano, então é bem… Caetano. Entendam como quiserem. Mas é bom, divertido. O filme retrata os bastidores da turnê “Foreign Sound” entre 2003 e 2005 e tem depoimentos de fodões tipo Antonioni, Almodóvar e David Byrne. Destaque para a fotografia e a montagem, ótimas. E a trilha sonora é praticamente o disco Transa, de 76, além das canções dos shows. Não tem como ser ruim. Infelizmente, a Sandy e o Lucas saíram à francesa e não pude captar as impressões dois dois sobre o filme.
Outro filme que eu ainda não vi, mas também é do ramo e está na lista, é o filme sobre Simonal. Tem sessão sábado 13h no Cinesesc. A dica é chegar cedo, porque as sessões estão absurdamente cheias. Depois que eu assistir posto as impressões por aqui.

De volta à psicodelia, reunião hoje. Vamos desembestar esse projeto logo.

Tati


Psicodelia brasileira recomenda: Psicodelia no Auditório Ibirapuera

VIOLETA DE OUTONO TRAZ ROCK PSICODÉLICO AO AUDITÓRIO IBIRAPUERA

Cultuada banda paulistana apresenta último trabalho, Volume 7

Com 23 anos de estrada, muito lirismo e psicodelia, a banda Violeta de Outono incorpora influências de bandas inglesas dos anos 70, como Camel, Caravan e Soft Machine, no palco do Auditório Ibirapuera.

No repertório seu sétimo disco, Volume 7, com oito composições novas que destacam o trabalho do órgão Hammond, órgão elétrico desenvolvido por Laurens Hammond como uma alternativa de baixo custo ao órgão de tubos. O instrumento acabou sendo usado para o jazz, blues e então para uma extensão do rock and roll, nas décadas de 1960 e 1970.

No palco os músicos Fábio Golfetti (guitarra e voz), Cláudio Souza (bateria), Fernando Cardoso (órgão Hammond, piano e moog) e Gabriel Costa (baixo).

O show contará ainda com as participações especiais de Manito e André Peticov. Manito integrou o Som Nosso de Cada Dia, banda brasileira seminal dos anos 70 e também foi o criador dos Incríveis, ao lado de Netinho, nos anos 60. Andre Peticov ficou conhecido por fazer os cenários e efeitos visuais nos shows psicodélicos do Mutantes ao lado do irmão, o artista plástico Antônio Peticov.

O Violeta de Outono surgiu na metade dos anos 80, em São Paulo, e se manteve fiel ao seu som, fazendo uma música que mistura rock dos anos 60 ao experimentalismo do rock progressivo dos anos 70.

A banda é conhecida por seu som hipnótico de influências psicodélicas, e suas apresentações ao vivo são sempre marcantes devido à atmosfera viajante e às longas passagens instrumentais, levando o público a um estado de transe.

Dias: 30 de Março de 2008
Horário: Domingo, 18h
Duração: 90 minutos (Aproximadamente)
Ingresso: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada)
Gênero: Rock Progressivo
Classificação Indicativa: Livre

Programação:

Volume 7
Participações especiais: Manito e Andre Peticov
Parcerias: Hammond, Suprisul e Kiss FM


É tudo verdade, fátima!

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Hey pessoas, começa logo logo o festival de cinema – curtas e longas, É Tudo Verdade. A farra acontece no eixo sp-rio-bauru-brasilia-recife-caxias! Obviamente tem muita coisa boa, mas já que este é um(a tentativa de) blog psicodélico, aqui vão algumas dicas relacionadas ao tema, dentro programação. Quem quiser conferir a relação completa das películas em cartaz, onde, como, quando e por que, clica aqui!

Générations 68
(Geração 68)

Projeções Especiais

SIMON BROOK

FRANÇA / FRANCE

53′, cor, Beta digital, 2007

Diálogos: FALADO EM FRANCÊS, INGLÊS, TCHECO / FRENCH, ENGLISH, CZECH DIALOGUES

Legenda: LEGENDAS EM INGLÊS; LEGENDAS ELETRÔNICAS EM PORTUGUÊS / ENGLISH SUBTITLES; ELECTRONIC PORTUGUESE SUBTITLES

Quarenta anos atrás, uma revolução varreu o mundo. Greves estudantis abalaram a Europa e a América Latina. O engajamento político e social contaminou a música, o cinema, o teatro e as artes plásticas, rompendo as barreiras dos estilos até então consagrados.O comportamento sexual derrubou tabus. O figurino acompanhou as mudanças, com a invenção da minissaia por Mary Quant. Enquanto os hippies proclamavam o império da paz e do amor livre, entretanto, a Guerra do Vietnã continuava ceifando vidas. O dramaturgo e ex-presidente Vaclav Havel, o cineasta Milos Forman, o artista Ed Ruscha, o fotógrafo William Klein, o ator Dennis Hopper, o diretor de teatro Peter Brook e outros contam como foi viver aquele período único e inesquecível.

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Pan-Cinema Permanente

Competição Brasileira – Longas

CARLOS NADER

BRASIL – SP / BRAZIL – SP

83′, cor, Mini-DV, 2007

Diálogos: FALADO EM PORTUGUÊS / PORTUGUESE DIALOGUES

Legenda: LEGENDAS EM INGLÊS / ENGLISH SUBTITLES

Baiano de Jequié, filho de um sírio muçulmano e uma sertaneja baiana, Waly Salomão (1943-2003) era um artista que se manifestava em múltiplas direções. Formado em Direito, tornou-se poeta, rabiscando os versos de seu primeiro livro numa cela no Carandiru. Amigo de Hélio Oiticica, aproximou-se dos tropicalistas, tornando-se um dos compositores preferidos de Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia, para quem compôs sucessos como “Mel” e “Talismã”. Reunindo extenso material inédito filmado com Salomão, que procurava romper a fronteira entre realidade e ficção, o filme revela algumas das facetas desse incansável caleidoscópio.

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bacci

Aline
 


Ar-now-do Baptista! Mais do que recomendação

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Saiu hoje no JT!

Ex-Mutantes lança livro de ficção científica

São Paulo – Além de uma música revolucionária, que mudou a face dos anos 60 e ecoa ainda hoje, o ex-Mutante Arnaldo Dias Baptista faz desenhos, quadros e camisetas que dá de presente aos amigos. Agora, uma nova faceta de sua carreira multimídia vem à tona: a literatura. A Editora Rocco lança no início de abril o livro Rebelde Entre os Rebeldes, uma ficção científica de Arnaldo que foi escrita há mais de 20 anos, mas permanecia inédita.

Tem um disco antigo do gaúcho Ney Lisboa, uma espécie de Tom Waits sulista, intitulado Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina, de 1983. Não há expressão melhor para definir a ficção de Arnaldo Baptista. A viagem interplanetária do Príncipe do País dos Baurets é totalmente delirante, uma espécie de Star Wars hippie, escrita num ritmo e linguagem que não existem mais, de tão delicados e fluentes.

“Eu não sei se essa experiência já ocorreu com você, leitor, mas às vezes estou andando ao lado de um amigo em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana ou qualquer outra grande avenida, com a fortíssima materialidade das lojas me levando a só acreditar no que se vê e, apesar disso, sinto algo especial”, escreve Arnaldo.

Em maio de 2006, ao lado de seu irmão Sérgio Dias, Zélia Duncan e Dinho Leme, Arnaldo ressuscitou por um breve período, um ano, o sonho psicodélico chamado Mutantes. Durou pouco, mas reanimou um pequeno exército de maluquetes bacanas. Com seu livrinho temporão, mais eflúvios deverão vir à tona. As informações são do Jornal da Tarde (AE)

God Save the King!

Aline


ROCK DA CANTAREIRA

Dica dos nossos amigos de orkut!

ROCK DA CANTAREIRA – 15/03/2008 no VILA TEODORO:
Com as bandas:

SOUL BARBECCUE (Rock Progressivo)
*participação especial de Chuck Dedo Amarelo (KALANGO LOUCO)

COSMO DRAH (Hard 70’s)

As bandas irão apresentar suas músicas autorais e covers no mesmo estilo +
DISCOTECAGEM COM AS MAIORES RARIDADES DOS 70’S!

Rua Teodoro Sampaio, 1229 – Vila Madalena (esquina c/ a Henrique Schaumman)
Metrô Clinicas. ENTRADA R$5,00


1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies

já foi… mas vale ficar sabendo!

CULTURA PERIFÉRICA
Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros
Eleilson Leite

No próximo domingo, dia 9 de março vai acontecer a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. O evento terá lugar na Praça do Campo Limpo, gema da periferia da Zona Sul de São Paulo. A parada começa às 10h e segue até às 20h. A idéia, segundo os organizadores é reunir o maior número de “sobreviventes” da cultura hippie, promover uma feira, curtir um som e, com isso, reiniciar um movimento que teve seus tempos de glória, no Brasil, nos anos 70. Se nos EUA os hippies escolheram uma bucólica fazenda no Interior do Estado de Nova York para celebrar a paz e o amor, no final da década de 60, o Woodstock paulistano fica num dos picos periféricos mais adensados e conflituosos da Capital. Mas ser hippie hoje, em nossa terra, só na periferia. É na quebrada que a pregação do amor e da liberdade faz mais sentido. Tanto como valor intrínseco às comunidades , como demanda às autoridades. Mas ser hippie é coisa também de quem gosta do Raul Seixas — patrono do evento, juntamente com Bob Marley. Nada mais justo que essa homenagem ao Raul.

Raul Seixas já era um ídolo para os hippies dos anos 70 e 80. Mas virou um mito para parte da geração que tem hoje vinte e poucos anos e sequer viu uma apresentação do compositor baiano. O organizador da Mostra de Cultura Hippie, Valdecir Jr., conhecido como Jotta Erry, é um exemplo dessa rapaziada. Tem apenas 24 anos. E olha o perfil do cara. Terminou o segundo grau e ainda aspira à faculdade. Mora na periferia, trabalha na ONG Rede Rua, como educador junto às pessoas que vivem nas calçadas e sob viadutos. Jotta Erry é fã do Raul e toca reggae na banda Raízes de Javé. É um típico artista da periferia: talentoso, solidário, empreendedor e ativista. Quando o Raul morreu, tinha apenas 5 anos. Não pôde vê-lo em ação, mas embalará, com seu evento, os ideais da Sociedade Alternativa, defendida pelo seu ídolo.

Eu sou dos anos 80 e acabo de fazer 40. Vi dois shows do velho Raul. Sinto-me um privilegiado. Mesmo naquela época, era rara uma aparição do Maluco Beleza nos palcos. E quando aparecia, não era garantia que o show rolasse. Raul chegou a ser preso em 1982, acusado pela platéia de ser um impostor. A treta rolou em Caieiras, município da Grande São Paulo. Ele entrou no palco pra lá de bêbado e não conseguia lembrar as letras. A galera irada foi às vias de fato. Raul saiu escoltado e foi dar explicações na delegacia mais próxima. Parecia ser o fim.

Mas ele ressurgiu. No ano seguinte, no dia 26 de fevereiro, mais de 10 mil pessoas lotaram o ginásio do Palmeiras para ver o retorno épico de Raul Seixas. E eu estava lá. Havia acabado de fazer 15 anos. A platéia, ansiosa, alternava momentos de confiança e descrédito. O cara entrou no palco, já passava da meia noite. Se o Raul não aparecesse naquela noite, talvez o ginásio do Verdão viesse abaixo, literalmente. O público delirava e Raul, não bastasse o inusitado de sua presença, resolveu surpreender ainda mais. Com Tony Osanah na guitarra, e Miguel Cidras nos teclados, só tocou clássicos do rock norte-americano dos anos 50. Em tom professoral, introduziu sua aula: “o rock começou no Mississipi, nos anos 50 com Arthur Big Boy Grudup, que influenciou um cara chamado Elvis Presley com uma canção mais ou menos assim…”. E mandou My baby left me. E assim foi durante um pouco mais de uma hora. Nada de Gita, Maluco Beleza, Ouro de Tolo. O povo gostou, mas reclamou. No fim, valeu pelo momento histórico. Quem quiser conferir é só ouvir o CD lançado pela Eldorado contendo o registro deste show.

Raul morreu em agosto de 1989, e foi então que os universitários enterraram o cara mesmo. Mas acontecia um movimento inverso, nos bairros de periferia
Depois desta apresentação, mais um período de ostracismo e internações, até que Raul entrou em estúdio, depois de três anos sem gravar. Tirou do forno um grande disco. Trata-se do Raul Seixas, álbum que veio ancorado em dois mega sucessos: Carimbador Maluco e DDI, rocks bem ao estilo Raul, fã incondicional de Elvis Presley. Comprei o disco no dia em que chegou nas lojas. Lá no bairro, fui o primeiro a chegar com a novidade. Reunimos a galera e nos deliciamos com as novas canções. Raul estava de volta. E voltou com gás. Dava entrevistas, participava de sessões de autógrafos. Chegava três horas atrasado, é verdade, mas aparecia. Fui a uma dessas sessões, numa loja no Top Center na Av. Paulista. Estava marcado para as 11h. Negociei no trampo uma hora a mais de almoço. Cheguei pontualmente. A fila era enorme. Deu meio dia e nada. Muita gente desistiu. “O Raul não tem jeito” resignavam-se os fãs menos convictos. Meu acordo era de estar de volta ao escritório as 13h. Liguei em casa. Pedi para meu irmão de apenas doze anos vir me substituir na fila. Morava na periferia da Zona Norte. O moleque chegou as 13h20 e o Raulzito nada de aparecer. Tomei bronca do chefe e fiquei sem almoçar naquele dia. Lá pelas 14h30, liga o garoto. “E aí, ele apareceu?”, perguntei incrédulo. “Apareceu, mas o autógrafo ficou no meu nome”, respondeu o mano. Naquele dia entendi o significado da expressão “gozar com o pau dos outros”. Guardei a relíquia por muitos anos.

Não sei bem a data, mas fui ver o show de lançamento deste disco, agora, que ironia, no Ginásio do Corinthians. Era 1984. Raul faria apenas um show. Com ele, não tinha esse negócio de temporada. Tampouco, os empresários topavam qualquer acordo do gênero. O risco de furo era permanente. Novamente, casa lotada. Tinha quase 10 mil pessoas, imagino. Dessa vez, o público estava confiante. O Raul estava bombando nas rádios e na TV. Até no Balão Mágico, programa infantil da Globo, para o qual escreveu Carimbador Maluco, ele aparecia. Vivia um momento de astro. Na abertura, nada menos que as duas maiores bandas de rock da época: Tutti Fruti e Made in Brazil. Raul entrou triunfante no palco. Uma banda super afinada com Tony Osanah e Miguel Cidras novamente o acompanhando. Mandou super bem os sucessos do momento e do passado. Uma glória. Este era o velho Raul. O público curtiu sem muita ansiedade. O clima era de paz e amor. Acabado o espetáculo, a multidão saiu pelas ruas do Tatuapé, como se estivesse numa procissão. Um puxava os primeiros versos de uma canção e os demais seguiam em coro. Muita gente sentou na porta da estação do Belém do Metrô e por ali ficou até as 5h esperando o portão abrir, cantarolando Raul sem parar, em rodas regadas a vinho Natal, comprado nos butecos especializados em atender os insones que vagueiam na madrugada. Eu subi num buzão na Av. Celso Garcia. Segui para o Centro e de lá, as 4h peguei o Negreiro, nome que se dava ao ônibus que cobria a rota para as periferias depois da meia noite. Percebi que muita gente fazia o mesmo itinerário.

Quando entrei na USP, em 1988, comprovei que a classe média ilustrada e politizada torcia o nariz para o Raul Seixas. O pessoal gostava dos medalhões da MPB (Chico, Caetano, Gil, Milton, etc.) e da Vanguarda Paulistana, que ainda gozava de amplo prestígio: Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Premeditando o Breque entre outros. Rock? Ah, era a nova geração: Titãs, Paralamas, Legião Urbana, Barão Vermelho, Lobão e toda essa galera. Bom. Eu gostava de tudo isso, mas não tirava o Raul do topo de minhas preferências. Sentia-me meio um ET, nas conversas na mesa do bar. Saquei que meu apreço pela Raul tinha a ver com minha procedência. Muitas vezes, eu era o único ali que veio do subúrbio. Ser da periferia na USP, naquele tempo, era algo tão improvável que até moradia estudantil eu consegui. Lembro-me que a assistente social foi até em casa para checar minhas “condições de vida”. Assinou na hora a aprovação de minha vaga no CRUSP e ainda me deu bolsa-alimentação.

Para meus amigos, curtir Raul era coisa de “bicho grilo”, expressão desdenhosa para se referir aos hippies que insistiam em manter a conduta paz e amor. O Raul morreu em agosto de 1989, e aí que os universitários enterraram o cara mesmo. Mas acontecia um movimento inverso, nos bairros de periferia. Crescia a legião de fãs do Maluco Beleza. E muitos jovens aderiram à Raulmania, formando fãs-clubes, grupos de discussão sobre a Sociedade Alternativa, e tudo mais. Olha que louco! Essa galera saía em bandos para ver shows de artistas covers do Raul. Em apresentações de outros artistas era comum gritarem do meio da platéia: “Toca Raul!”. Virou um bordão. O Zeca Baleiro tem brincado com isso em seus shows. No programa BR 102 da Rádio Kiss FM tem lá uma seção “Toca Raul!”. Outro dia fui ver uma apresentação de um cover do Raul no Ibira Moto Point, encontro semanal de motoqueiros no Ginásio do Ibirapuera. Tinha uma multidão. A rapaziada era toda da periferia. Entrei no meio e curti um bocado. Notei que lembrava a letra inteira de dezenas de canções. Tornar-se fã do Raul é como andar de bicicleta. Você pode ficar um tempo inativo, mas não capota da magrela nunca mais.

Que bom ver agora esta belíssima iniciativa da Primeira Mostra Cultural Arte dos Hippies, que vai rolar no Campo Limpo, no próximo domingo. Entre as 8 bandas programadas para subir no palco evento, uma delas só toca Raul. É a Tecora. Todas as demais são de Reggae. Jotta Erry me explicou que os hippies estão muito ligados no som da Jamaica. “O reggae virou a trilha sonora dos que seguem o estilo de vida hippie”, diz o educador. Mas o Raul está no coração de todos e é inspiração permanente. “A galera se reúne em grupos e nas rodas só dá Raul”, completa Jotta Erry. O Maluco Beleza estará onipresente. Raul Seixas continua sendo negligenciado ou mal-compreendido pela elite, pela intelectualidade. Mas na periferia, ele é reverenciado. Toca Raul!

Mais:
1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies:
Dia 09/03 (domingo), das 10h às 20h.
Praça do Campo Limpo – Estrada do Campo Limpo s/n.
Entrada franca. (11) 9969-3181 c/ JottaErry.
bandaraizesdejave@yahoo.com.br

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Aline


Parabéns Ritchie!!!

Hoje, 6 de março, é aniversário do Ritchie – que, para os que não sabem, fez parte do Vímana, ao lado de Lulu, Lobão, Luiz Paulo e Fernando Gama. O inglês completa 55 anos! Parabéns!!!
E para saber um pouquinho mais sobre vida e obra de Richard Court, um pouquinho da BIO dele, retirada de seu site oficial

Intro 1952-1972

1952RITCHIE, é meu apelido há anos mas o meu nome verdadeiro é Richard David Court. Nasci em Beckenham, no condado de Kent, no Sul da Inglaterra no dia 6 de março de 1952.

1954Durante a minha infância e adolescência, por ser filho de militar, morei em diversos países como Quênia, Dinamarca, Italia, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia, além de várias localidades da Inglaterra.

1959Estudei em colégios internos, primeiro Tormore School (dos 7 aos 13 anos), Sherborne School (dos 13 aos 19 anos) e depois cursei a faculdade de literatura inglesa na Universidade de Oxford (Magdalen College).

1972Em 1972, larguei os estudos para tocar flauta numa banda iniciante de Londres chamada Everyone Involved com mais de 20 integrantes.

Gravamos um LP, Either/Or, no mesmo ano, em colaboração com outros artistas londrinos, para contestar os planos de modificação de Piccadilly Circus, no West End da capital. Algumas centenas de cópias foram prensadas e distribuidas gratuitamente na rua. Havia até um selo no disco com os seguintes dizeres:

Se você pagou por isto, você foi roubado!

Os Brasileiros

Durante as gravações do disco do Everyone Involved, o guitarrista Mike Klein me apresentou um grupo de colegas brasileiros, Lucinha Turnbull, Sandra Werneck, Rita Lee e Liminha, estes dois últimos integrantes da banda Os Mutantes, que estavam visitando Inglaterra para comprar instrumentos.

Surgiu desse encontro uma forte amizade e o convite para conhecer o Brasil e eventualmente tocar com eles.

No final de ’72 embarquei, com armas e bagagens, para o Brasil onde acabei formando, em São Paulo, a banda Scaladácida com Fabio Gasparini (guitarras), Sérgio Kaffa (baixo), e Azael Rodrigues (bateria).

A banda acabou ficando bastante conhecida em São Paulo onde fazia shows ao vivo com frequência. Surgiu a possibilidade de um contrato com a gravadora Continental, mas ainda sem um visto regularizado, eu não pude assiná-lo. Com a dissolução da banda no final de ’73, decidi tentar a sorte no Rio de Janeiro com minha mulher, a arquiteta e estilista carioca, Leda Zuccarelli.

Rio de Janeiro

Dei muitas aulas de inglês (particularmente e, mais tarde, na Escola Berlitz). Meus alunos daquela época incluiam o multi-instrumentalista, Egberto Gismonti, a cantora, Gal Costa e o saxofonista, Paulo Moura. No caso desse último , eu dava aulas de inglês em troca por aulas de flauta.

Inicialmente fazendo backing vocais e tocando flauta, participei do grupo de jazz-rock Soma liderado pelo baixista Bruce Henry. O percussionista da banda era Alyrio Lima, (que chegou a gravar, anos depois, quando já morava nos EUA, com o grupo fusion, Weather Report, com o trompetista, Miles Davis e com o guitarrista, John McLaughlin).

Logo depois entrei para A Barca do Sol, como flautista, (ao lado dos violonistas, Nando Carneiro e Muri Costa, o percussionista, Marcelo Costa e o violoncellista e arranjador, Jaques Morelenbaum).

Em determinado momento sugeri que eu cantasse, em vez de tocar flauta, e fui prontamente despedido da banda! Afinal, onde já se viu um gringo cantando MPB em português? Um absurdo!

Vímana

Em 1975, aceitei um convite para ser cantor & flautista na banda progressiva carioca, Vímana.

Inicialmente fomos contratados para acompanhar a atriz Marilia Pêra na peça musical A Feiticeira. Eu tocava flauta. O Vímana utilizava o teatro às tardes para ensaiar exaustivamente.

Os outros integrantes da banda eram o guitarrista, Lulu Santos, o baterista, Lobão, o baixista, Fernando Gama e o tecladista, Luiz Paulo Simas. Tocavamos com frequência no Museu de Arte Moderna e principalmente nos teatros do Rio, conquistando, aos poucos, um público fiel ao nosso estilo híbrido de rock-jazz-pop-samba-funk progressivo.

Em 1977, foi lançado nosso único compacto simples Zebra pelo selo Som Livre. O LP foi arquivado pela gravadora que alegava não haver público para o rock no Brasil.

No final dos anos 70, Vímana chegou a ensaiar, como banda de apoio, com o tecladista suiço, Patrick Moraz, (ex-Yes, ex-Moody Blues etc.). Insatisfeito com a situação, Lulu deixou a banda para se dedicar a sua carreira solo.

Com a saída do Lulu, a banda se dissolveu e cada integrante foi para seu lado. Voltei ao ensino de inglês em tempo quase integral, tocando música por prazer. Quase cheguei a acreditar que tocar rock no Brasil era uma causa perdida.

Let the Thunder Cry

Meu primeiro encontro pessoal com o Jim Capaldi, (baterista e letrista da banda pioneira inglesa, Traffic), foi quando ele esteve de férias no Rio em 1974.

Jim se tornou um grande amigo. Ele era casado com uma carioca e passava longas temporadas no Rio. Às vezes, ele gravava suas demos de novas músicas em meu pequeno apartamento em Copacabana.

Em 1980, Jim me convidou para voltar à Londres, onde participei, como vocalista e arranjador, de seu álbum solo, Let the Thunder Cry. De repente me encontrei trabalhando ao lado de cobras como Steve Winwood (Traffic), Andy Newmark (John Lennon etc.), Simon Kirke (Free, Bad Company), Reebop Kwaaku Bah (Traffic) e Mel Collins (King Crimson).

Quando voltei ao Brasil, decidi procurar novamente o Bernardo Vilhena, que havia feito algumas letras para a extinta banda, Vímana. Começamos a compor juntos as músicas de um eventual disco solo, que, pela primeira vez, seria cantado inteiramente em português.

Uma certa menina veneno… (para ler como continua esta história, clica aqui)

Aline