Rosa de Sangue nas lojas!

29 05 2009

http://1.bp.blogspot.com/_v9oZDutA3m8/SaVBYXR4SqI/AAAAAAAAAK4/8pdSOILlS14/s400/Lula+C%C3%B4rtes+-+Rosa+de+Sangue+(1980)+2.png

Essa é para os colecionadores e amantes da psicodelia brasileira: começou a pré-venda de uma prensagem limitadíssima do disco “Rosa de Sangue”, gravado em 1980 pelo pernambucano Lula Côrtes. A edição é limitada em 500 cópias e o preço é justo: R$ 124,99. Vale muito a pena porque esse disco nunca chegou às lojas, por causa de uma disputa judicial com a gravadora. Ou seja, essa é a ÚNICA chance de ter a bolacha em casa. Rola também baixar o disco (o link está abaixo), mas a qualidade não está muito boa.

“Rosa de sangue” é maravilhoso do início ao fim. Para quem não conhece, Lula Côrtes foi o cara que gravou com Zé Ramalho “Paêbiru”, considerado o maior expoente da chamada psicodelia brasileira. Lula é um personagem folclórico no Recife: músico, poeta, artista plástico, agitador cultural. Nos anos 70, conviveu com todo o povo do udigrudi e foi, digamos, o mentor da contracultura pernambucana – se não fosse ele, acreditem, talvez o mangue beat não teria surgido. A turma de Lula (incluindo aí o Ave Sangria) foi a primeira a misturar o frevo e ritmos regionais ao rock´n´roll. “Rosa de Sangue” é isso: são frevos, forrós, guitarras nervosas e até cítaras em “Oração para shiva”, na mistureba clássica dos sons da contracultura brasileira.

Além do som ser ótimo, as letras também são bem legais:

Dos Inimigos

Dos inimigos
Temos medo ou revolta

De quem nos ama
Temos todo coração

Dos que se perdem
Temos pena ou remorso

Dos que se encontram
Vemos a satisfação

Dos que se negam
Vemos marcas no seu rosto

De quem não ama
Como é triste o seu viver

De quem não vê
Vejo a falta que ele sente

Inutilmente
Nós sentimos o seu sofrer

Do acusado
Já se sente a solidão

De quem não pensa
Vejo gestos tão confusos

De quem não ama
Como é triste o seu viver

De quem não vê
Vejo a falta que ele sente

Inutilmente
Nós sentimos o seu sofrer

http://2.bp.blogspot.com/_v9oZDutA3m8/SaVBYM8OnyI/AAAAAAAAAKw/glGihmyefbQ/s400/Lula+C%C3%B4rtes+-+Rosa+de+Sangue+(1980)+1.jpg

Para baixar o disco, clique aqui (via BrNuggets).

Para comprar a bolacha, vá à Record Collector ou à Rare Records.

Tati





Valeu, Zé

22 05 2009

“Músico, compositor, maestro, arranjador, ator, autor, pintor, publicitário, professor e jornalista”. Assim era definido Zé Rodrix em um release que eu recebi. Fiz piada, mas a verdade é que ele era tudo isso mesmo. E, além de tudo, uma das pessoas mais legais que já conheci. Sem exageros.

Estive na casa dele há pouco mais de um mês, para uma entrevista que eu acho que não vai mais sair. Linda casa, com um jardim florido e um pomar carregado, passarinhos cantando, uma cachorra orelhuda e gente boa, detalhes coloridos por todas as partes, um altar carregado de santos. Uma casa que pulsava vida. Tive o privilégio, mesmo que por pouco tempo, de ouvi-lo dedilhar o violão junto com a filha igualmente talentosa Bárbara, de 18 anos. Enquanto o fotógrafo fazia as fotos do pai e da fiha, os dois se olhavam e tocavam seus violões como se o tempo tivesse parado – até que o fotógrafo alertasse: “Zé, olha para a câmera!”. E ele olhava, posava, ria.

A primeira vez que eu o vi simpatizei de cara. Zé Rodrix é o tipo do cara gente boa, que dá vontade de sentar e conversar, que dá vontade de ser amigo. Foi em 2007. Eu e Aline o entrevistamos, junto com o parceiro de longa data Tavito, para nosso TCC. Zé contou histórias cabeludas, fez piada, e demonstrou o tempo todo o carinho imenso que tinha pelo amigo antigo.

Zé Rodrix era doce, e foi tão legal comigo no dia em que eu era só uma estudante pedindo entrevista quanto no dia em que eu fazia reportagem para um veículo grande. Ele era cantor, compositor, músico e tudo aquilo mesmo, mas também era um pai fantástico, um amigo incrível, uma pessoa genial – tinha uma inteligência afiada, mas passava longe da arrogância.

Criou seis filhos de cuca legal e tinha uma casa maravilhosa, cheia de livros e discos. E vida.

Hoje o dia está lindo, mas eu amanheci mais triste. Zé Rodrix faleceu de repente, ontem à noite. Não estava doente, não teve nenhum sintoma. Foi rápido e repentino. Ele era jovem. Lançaria, em breve, um disco novo com Sá e Guarabyra. Tinha 61 anos.

Eu desejo toda a força do mundo à Bárbara e à Júlia, esposa dele, e aos outros filhos e órfãos.

Boa Viagem (Zé Rodrix)
O fogo sempre vivo, o corpo nunca para
E ninguém consegue mais lhe segurar
Essa casa está pequena pro seu ritmo de vida
Qualquer dia desses vai voar pra longe
As mãos que eram tranquilas nunca mais se cruzaram
E ninguém consegue mais lhe segurar
E por mais que faça força essa casa está pequena
Qualquer dia desses vai voar pra longe
E eu que tinha a mais completa certeza
De que ia envelhecer feliz ao seu lado
Vai passando o tempo e se apagando o meu fogo,
E o seu fogo vai crescendo cada vez mais
A porta está aberta, por mais triste que seja
E eu não quero nem tentar lhe segurar
Onde o fogo queima forte, deixa só poeira e cinza
Abra as asas e pode voar
Boa viagem.

-

Abaixo, trecho (ruim, eu sei) da entrevista que eu e Aline fizemos com ele no Caiubi.

Tati





Se os anos 60 tivessem Twitter…

14 05 2009

Tirei daqui. Em tempo: no Twitter, somos @tatikmd e @lolarastaquoere. A Ana ainda não se rendeu.

Tati





Psicodelia infantil?

21 04 2009

Monica Bergamo de hoje:

No chão: Edgard Scandurra, Taciana Barros, Arnaldo Antunes e Antonio Pinto; no meio: Joaquim Scandurra, Joaquim Pinto e Brás Antunes; ao fundo: Daniel Barros Scandurra, Manuela Pinto, Luzia Barros, Estela Scandurra, Tomé Antunes e Lucas Scandurra

PSICODELIA INFANTIL Os músicos Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto decidiram se unir para fazer “música psicodélica” para crianças com a participação dos próprios filhos. O primeiro CD do projeto “Pequeno Cidadão” deve chegar às lojas no dia 2 de maio. Os shows, no estilo matinê, acontecem nos dias 9 e 10, no Sesc Pompeia, e também no novo teatro Anhembi Morumbi, em São Paulo

Aqui.

Tati





Abacaetano e Maracugil

24 03 2009

De novo chupinhando informações alheias

Aline

os-sucos-barbaros-todos

Inspirada pela criação do designer Marc Valega, os Beatle Juice, caixinhas de suco com nomes dos integrantes dos Beatles (clique aqui para conhecer) , a empresa de design Bistrô resolveu criar uma versão brasileira da ideia, usando como inspiração os Doces Bárbaros.

O resultado foi Os Sucos Bárbaros, uma linha que apresenta sabores inspirados no quarteto de MPB dos anos 70: Gilberto Gil vira MaracuGil; Gal Costa, GalRaná; Caetano Veloso se transforma em AbaCaetano, e Maria Betânia ficou como BeTâmara.

Apesar de ser tudo uma grande brincadeira, a agência garante que todos os sucos são receitas especiais da Dona Canô. Se você gostou das caixinhas, pode entrar no site da Bistrô e imprimir cada uma delas e montar você mesmo.

O diretor de criação Gabriel Besnos e a coordenadora de projetos Fernanda Aldabe são responsáveis pela criação desses sucos fictícios. Confira na nossa galeria imagens de cada um deles.





Psicodelia Brasileira Recomenda: Clube da esquina nas minas da música

20 03 2009

Hey caros,

O Sesc Pinheiros montou uma série de shows em homenagem ao Clube da Esquina. Quem tiver de bobeira e quiser conferir apresentações mais que especiais daqueles que já foram nossos entrevistados, segue:

CLUBE DA ESQUINA, NAS MINAS DA MÚSICA

SESC Pinheiros

Um panorama sobre um dos mais importantes momentos da música brasileira, sua história, sua repercussão, sua representatividade, estabelecendo um diálogo entre a produção musical da época e a produção atual. O projeto inclui oficinas, shows musicais e bate papos. De 19 de março a 19 de abril de 2009. 
      

Toninho Horta e Convidados
Dia(s) 28/03, 29/03 Sábado, 21h e Domingo, 18h. 
O compositor, cantor e instrumentista Toninho Horta apresenta seus grandes sucessos e relembra composições do Clube da E… 

Flávio Venturini com participação especial de André Mehmari
Dia(s) 04/04 Sábado, às 21h. 
Com repertório baseado no seu último disco “Canção Sem Fim” e nos sucessos do Clube da Esquina, o músico mineiro se apre…   

Lô Borges com participação especial de Milton Nascimento
Dia(s) 17/04, 18/04, 19/04 Sexta e sábado, às 21h.; Domingo, às 18h. 
Um encontro histórico de dois ícones do “Clube da Esquina”. Neste show, Lô Borges recebe Milton Nascimento e interpretam…

detalhes aqui

Aline





San Marcos Sierras

20 03 2009

Essa matéria saiu no UOL há um tempinho, mas pra quem não viu, cá está, chupinhada do nosso querido portal.

Aline

O lado hippie da Argentina

EDUARDO VESSONI
Colaboração para o UOL Viagem, de Córdoba

As ruas são de terra e a iluminação pública não tem cartazes luminosos; os poucos carros que circulam são abastecidos a 30 km dali; a produção agrícola local é orgânica e o mel é uma das principais fontes de renda. Essas características parecem até ser a descrição idealizada de uma sociedade alternativa escondida em algum canto isolado do planeta. Mas esse paraíso natural existe e se chama San Marcos Sierras.
  • O rio San Marcos costuma ser o ponto de encontro de locais e visitantes nos finais de tarde, em San Marcos Sierras, Argentina
Localizado a 153 km de Córdoba, esse vilarejo, declarado a capital do mel da Província de Córdoba, ficou famoso nos anos 60 durante o período ‘paz e amor’ que circulava pelo mundo. Na Argentina, o movimento de contracultura que defendia o amor livre no lugar da guerra afastou jovens dos grandes centros consumistas do país e deu origem a diversas comunidades hippies que se instalaram na região como La Sajonia, dedicada ao artesanato, e Coconanda, onde os alimentos naturais eram produzidos sem agrotóxicos.

Atualmente, San Marcos tem 3.200 habitantes fixos e a maioria da população já foi ‘contaminada’ por algumas facilidades modernas. Mesmo assim, a fama continua e os novos hippies (ou hippie 2000, como também são conhecidos os jovens do século 21 que adotaram o estilo de vida alternativa de seus antepassados recentes) não param de desembarcar na Plaza del Cacique Tulián, misturando-se entre turistas argentinos e europeus que buscam sossego no Valle de Punilla, na bela região serrana de Córdoba.

Na vila, artesões fazem arte; do resto a natureza se encarrega. Declarado ‘Território Não Nuclear’ e de ‘Proteção à Natureza’, San Marcos convida o visitante para o turismo ecológico entre serras cortadas por rios e com fácil acesso por trilhas curtas.

Para se ter uma visão geral do que atraiu a geração flower Power a primeira parada deve ser o Cerro de la Cruz, um morro próximo ao povoado que conta com um mirante com vista panorâmica dos vales da região e da Quebrada do rio San Marcos. A paisagem que se vê do alto, em dias claros, compensa o esforço da subida íngreme e serve como cardápio natural para escolher as próximas atrações. E não são poucas.

Nos finais de tarde, locais e visitantes vão preenchendo as margens do rio San Marcos, formando uma espécie de praia local de água doce. Os mais preguiçosos lançam toalhas sobre a grama e esperam o espetáculo do pôr-do-sol sobre a passarela que une o centro aos bairros mais afastados. Mate quente e criollos (uma espécie de pão folhado) ajudam a passar o tempo.

  • Um dos espetáculos naturais mais belos do vilarejo é assistir ao pôr-do-sol sobre a passarela que une o centro de San Marcos Sierras e os bairros mais afastados
Quem tem fome de aventura segue o caminho quebrada adentro seguindo o curso contrário do rio. As trilhas são bem sinalizadas e dão acesso a atrativos locais como os diques El Cajón e Arturo Illia; a Agua Mineral Grande, fonte de águas hipotermais que formam um arroio; e os Ojos al Cielo, pedras que serviram de espelhos para observação astronômica utilizadas pelos comechingones, aborígenes que habitaram aquelas serras até a fundação de Córdoba, em 1573.

Mas a atração mais inesperada é recente, inaugurada há apenas oito anos, e fica em uma casa com teto em formato de cogumelo escondida a 1,5 km e meio do centro do povoado. Assim é o Museu do Hippie, único do gênero no mundo.

continua aqui




Psicodelia Brasileira Recomenda: Psicodelia Tupiniquim

20 03 2009

O Radar Cultura, programa da Rádio Cultura, montou uma edição especial sobre a psicodelia brasileira com músicas, infos e entrevistas.

Este querido blog, mencionado no programa, não poderia ficar de fora, então, simbora ouvir, pessoas!

Segunda-feira, ao vivo, à partir das 15h. Quem não tiver disponível, entra lá depois que a seleção ficará no ar durante um tempinho.

Então, clica aqui!

Aline





Solar da Fossa

18 03 2009

Recebi na segunda-feira 16 um release da Editora Record que me deixou animadíssima: o lançamento do livro “Solar da Fossa”, de Toninho Vaz, que retrata os bastidores da pensão que abrigou nos anos 60/70 os grandes personagens da contracultura no Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo desse livro direto da boca de Zé Rodrix e Tavito, que moraram naquela pensão nos loucos e longíquos 70´s. Na entrevista que eu e a Aline fizemos com eles para o TCC, em 2007, os dois contaram para a gente histórias absurdas da turma de desbundados que vivia ali. Eles comentaram, sem maiores detalhes, sobre o livro que estava sendo escrito. Quase dois anos depois, eis que recebo o release da Editora Record:

“Histórias e canções de um templo da contracultura
Livro de Toninho Vaz lembra o lendário Solar da Fossa, que durante os anos 60 abrigou artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola

Entre 1964 em 1971, a pensão Santa Terezinha, instalada em um casarão colonial em Botafogo, tornou-se um dos mais importantes pontos de encontro da contracultura carioca. Apelidada de Solar da Fossa, era habitada por aspirantes a poeta, atrizes, cantores e jornalistas, até ser demolida para dar lugar a um shopping. Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Maria Gladys, Mauro Mendonça e Paulo Coelho foram alguns dos que passaram por lá, onde criaram canções e poesias e deixaram lembranças. Neste livro, o jornalista Toninho Vaz, autor de Paulo Leminski: o bandido que sabia latim, reconstitui a vida artística e criativa que ocupou esse folclórico lugar. SOLAR DA FOSSA acaba de chegar às livrarias pela Editora Record”

Fiquei empolgadíssima. Não comentei nada nos blogs porque queria tentar uma entrevista. E tentei: enviei dois emails às assessoras, sem nenhum retorno.

Eis que hoje abro o Caderno 2, do Estadão, e me deparo com a notícia de que o Toninho está processando a Record. Segundo ele, a editora lançou seu livro à revelia. Ele entrou na segunda-feira 16 com uma liminar para impedir que a obra seja comercializada. A Justiça aceitou.
Toninho Vaz alega que a Record lançou, na verdade, uma versão inacabada e “tosca” do livro. Os originais foram entregues à editora no início de 2007 – o plano do escritor era que o livro fosse lançado em 2008, na comemoração de 40 anos de 1968, o que não aconteceu. Toninho, então, pediu que o material fosse devolvido. E foi. O autor acrescentou mais 20 páginas aos originais, e incluiu também uma introdução de Ruy Castro. Planejava lançar a obra por outra editora – planejava, porque soube por um amigo que seu livro (ou melhor, os originais inacabados) chegaria às lojas nessa semana.

“Eu, Toninho Vaz, não reconheço o livro que por ventura estiver nos próximos dias nas prateleiras das livrarias”, escreveu o autor em seu blog.

Segundo o Estadão, a Editora Record afirmou, por meio de nota, que pagou pelos originais, da maneira como estava previsto o contrato. “Confiamos estar levando ao leitor uma obra importante que retrata um período marcante da indústria cultural do Rio de Janeiro e do País”, diz o texto.

Haverá uma audiência em 20 de maio. A Record terá que pagar multa de R$ 20 mil ao autor se o livro continuar à venda – e, pelo jeito, vai precisar colocar a mão no bolso porque em uma rápida pesquisada na internet é possível encontrar “Solar da Fossa” à venda.

Para saber mais sobre o Solar da Fossa:

Relato da Gal Costa e entrevista com Toninho Vaz.

Tati
(Foto de Fernando Angulo/SP)





Psicodelia Brasileira Recomenda: Jupiter Apple Combo

27 02 2009

JUPITER APPLE COMBO

Depois de um bom tempo sem fazer shows, e agora morando em São Paulo, o maior ícone do rock gaucho de todos os tempos, e vanguardista, Jupiter Maça, retorna agora num show inédito, experimentando o Jazzy sounds, Bossa Nova, pitadas de Nouvelle Vague e texturas aveludadas.

Revisitando alguns de seus clássicos e mais duas musicas inéditas, com o formato genuíno de combo.

voz JUPITER MAÇA

piano ASTRONAUTA PINGUIM

baixo LUIS THUNDERBIRD

bateria FELIPE MAIA

ABERTURA DO SHOW: Laura Wrona

Dj RESIDENTE: DJENNIPHER

Quando: 27 de abril, sexta

Horario: 23h

Entrada: $ 12

Projeto: La Noche Cool

Onde: Clube Berlin – SP

Pra quem quiser se aventurar, fica a dica!

Aline