“Let the sunshine in”

29 09 2008

O site da Cásper fez um especial sobre os 40 anos do musical Hair, símbolo hippie. Tá bem bacana. Há uma entrevista com Renata Pallottini, responsável pela versão brasileira do texto, resenhas e até traduções de algumas músicas.

O que conta Renata, sobre a montagem da peça que estreou no Brasil em 1969:
“Trabalhamos na preparação durante o ano inteiro. Os ensaios iniciais aconteceram no prédio da Gazeta, que não estava totalmente utilizado e tinha muito espaço vazio. Ficávamos em uma sala do segundo andar, que era muito fria e piorava durante o inverno, quando aconteceu a maior parte dos ensaios. Mesmo assim, a maior dificuldade – além do fato de ser uma peça de protesto, que pregava a indisciplina, a rebelião, o pacifismo – era a famosa cena do nu, em que no final do segundo ato vinte atores traziam uma bandeira branca ao centro do palco e, quando saiam debaixo dela, cantando Deixe o Sol Entrar, estavam completamente nus: Sônia Braga, Altair Lima, Armando Bogus, Rosa Maria, Ariclê Perez, entre vários outros.

Primeiro a censura examinou o texto em Brasília e, como toda a ação se passava nos Estados Unidos, não implicou com a peça. Depois do texto liberado, três censores acompanharam o ensaio geral e também a estréia, porque eles sabiam muito bem que podíamos fazer um texto bonzinho virar, na hora do espetáculo, uma autêntica revolução.

E de fato quando eles viram a cena do nu total disseram que não iria passar. O Altair Lima conversou com eles e fez um acordo: na hora do nu total a luz estaria bem na penumbra, quase não daria para ver os atores, só os vultos, as silhuetas. A cena era mais chocante por causa dos rapazes, porque nesse caso a novidade era maior – diferentemente do que acontecia com as mulheres, que desde os tempos do teatro de revista já ficavam com pouca roupa. No caso dos homens era espantoso.

O truque foi que, no decurso das apresentações, cada dia o Altair subia um pouquinho a luz, mas quando sabia que tinha censor na platéia, deixava tudo escuro. Quando não havia censor, aumentava de novo até o ponto que chegou à luz total. Essa cena era o momento de maior entusiasmo, todos ficavam loucos, o público queria subir no palco”.

Mais sobre a peça:

Quando o título provoca, é porque vale a pena olhar: Hair – The American Tribal Love-Rock Musical, peça escrita por Gerome Ragni e James Rado, é provavelmente a única obra de dramaturgia que consegue unir momentos tão lisérgicos quanto os vivenciados pela tribo de hippies Claude, Berger, Woof, Jeannie, Hud, Sheila e seus outros amigos. Músicas que posteriormente tornaram-se clássicas, como Manchester England, Let the Sunshine In e Aquarius, seqüências alucinadas e provocativas de referências à cultura hippie dos anos 1960 – “Vietnam, Johnson, High Scool, Sex, Cigarettes, LSD, Subways, Napalm, Pop Art, Pop Off” – e momentos que unem uma diversão irrestrita com libelos pacifistas e propostas para um mundo flower power fazem com que Hair permaneça até hoje como um ponto de referência e protesto contra um mundo careta e padronizado.

A peça é estruturada em pequenos fragmentos, sem uma linearidade aparente, no melhor estilo da livre consciência e da anarquia dos costumes tradicionais – desprezando, assim, uma construção mais conservadora das frases, ao adotar uma postura despretensiosa tanto nas músicas quanto nos diálogos (um dos muitos exemplos é uma conversa entre Berger e Claude: B: “Do you think homosexuality is here do stay, love?” C: “Yes, dear, until something better comes along”).

Entretanto, nenhum dos fragmentos da peça fica sem sentido dentro do conjunto (e principalmente do ideal) imaginado pelos autores, assim como nenhuma das músicas existe pelo simples motivo de chocar – Sodomy, por exemplo, configura-se não apenas como uma provocação, e sim como uma subversão da linguagem; quando a música aparece, Woof estava jurando após ingerir uma hóstia imaginária – “I swear to tell you the truth, the whole truth, and nothing but the truth so help me God, in the name of the Father”. Se na linguagem dita “oficial” não se pode unir em um mesmo momento elementos tão diferentes como sexo e oração – já que são categorias separadas por tabus sociais e morais –, Hair mostra uma subversão lingüística ao criar esse discurso naturalmente paradoxal que permite essas brincadeiras. Todo o discurso de Hair é baseado nessa lógica do inconformismo e do lúdico, seguindo uma única regra: não ter regras nem pressupostos que possam prejudicar a livre expressão das idéias.

Nesse sentido de funcionar como discurso, Hair assim se anuncia desde o início: “The Kids are a tribe. At the same time, for the purpose of Hair, they know they are on a stage in a theater, performing for an audience, demonstrating their way of life, in order to persuade those who watch of their intentions”. Mais do que apenas uma seqüência de cenas que mostram como era vida de uma geração inspirada por uma visão mais inovadora do mundo, a intenção da peça é expandir esse ideal para outras pessoas, conquistar adeptos para uma visão libertária da sociedade – peace-full, love-full world.

As inúmeras referências à cultura pop e ao cenário cultural dos anos 1960 são tão presentes que os fãs do musical não se cansam de procurá-las e tentar adivinhar seus significados – “One for Billy Graham, one for Prince Philip, and one for Joe Louis. One for Cardinal Spellman, one for Rabbi Schultz…”/ “Batmans, Castros, Hollywood, Burton-Taylor”; quando a Tribo canta Happy birthday, Abie baby, referindo-se à Abraham Lincoln; e as citações a Timothy Leary (professor de psicologia que experimentava alucinógenos com seus alunos e mais tarde tornou-se o guru do LSD) e LBJ – mais conhecido como Lyndon Baines Johnson, presidente que havia levado os EUA a um envolvimento mais pesado na Guerra do Vietnã. Gerome Ragni e James Rado também citam o intelectual Marshall McLuhan e suas teorias sobre a aldeia global, considerando que o movimento hippie é a personificação desse ideal universalizante, no qual todos estão unidos em busca de um único propósito: a procura por uma nova visão de mundo, que seja capaz de encontrar alternativas para uma sociedade controlada e padronizada. A famosa cena de nu da peça, por exemplo, na qual o elenco se apresentava inteiramente sem roupa, não tinha apenas a intenção de chocar – tinha também o propósito de simbolizar um novo início. Despido como uma criança, na metáfora de um recomeço, o ser humano poderia se desfazer de todas as tradições, na tentativa de recriar o mundo.

O uso de drogas é outro tema muito presente na peça, encarado como algo natural, que visa conduzir a um nível espiritual superior. No início do texto – em consonância com a visão da época, que acreditava que o experimentalismo com alucinógenos era capaz de criar um estado de transcendência – os autores dizem que o uso de drogas mostrado na peça e presente na cultura hippie tem paralelos nas culturas antigas, constituindo um meio para atingir um estado mais elevado de compreensão do mundo. “… flowers, candles, saris, sandals, psychedelic design, all combine to illustrate the emergence of a new-acient culture among the youth”. Ou seja, esse movimento surgiria de uma união da cultura ancestral indígena com elementos espirituais, religiosos, culturais – o novo e o velho criando um outro mundo. Que começou, quem sabe, “when the moon is in the seventh house/and Jupiter aligns with Mars/ Then peace will guide the planets/And love will steer the stars/ This is the dawning of the age of Aquarius”.

Para simbolizar o establishment – a ordem estabelecida com todos seus alicerces e implicações políticas e culturais – que domina a sociedade e todos os parâmetros comportamentais, a peça tem dois personagens alegóricos: Mom and Dad, que fazem o papel não só dos pais, como de diversas outras figuras paradigmáticas do conservadorismo e do poder estabelecido. Assim, Mom and Dad podem se converter em oficiais de polícia ou em diretores de estabelecimentos escolares. “Dad: Governor Reagan says turn the schools into concentration camps”. [Reagan era então governador da Califórnia] Berger: “Brainwash the masses!”. A relação de Mom and Dad com os hippies é o principal mecanismo pelo qual há o choque direto entre gerações que possuem visões tão diferentes do mundo e das tradições e códigos sociais. Muitas vezes essas relações se dão por incompreensão, mas a maioria delas traz consigo métodos mais pesados, que mostram com clareza o hiato entre o universo da Tribo de Claude e Berger e a sociedade estabelecida – esta última repetindo frases e clichês típicos dos padrões que foram a eles impostos. Um diálogo que exemplifica essa situação acontece entre Claude e Mom: ao perceber que seu discurso moralista é incapaz de convencer Claude a adotar seus padrões, Mom apela para a chantagem emocional: “Your father and I love you”. O que, para Claude, traduz-se em algo como: “faça o que queremos, porque nós te amamos. Isso deveria ser suficiente para garantir sua obediência”. Essa distância entre os mais velhos e os mais jovens nunca chega a um equilíbrio – como lutar com o poder do flower power se seus pais dizem que o que lhes dará orgulho é seu alistamento no exército para lutar no Vietnã? “Mom: The Army’ll make a man of you…” Aliás, a conversa entre Mom e Claude dá o tom para a ótima música I Got Life, introduzida pelo que segue: “Claude: This is 1968, dearie, not 1948”. Mom: “1968! What have you got, 1968, may I ask? What have you got, that makes you so damn superior and gives me such a headache?”

Outros elementos básicos da cultura hippie – como a aversão à sociedade capitalista e seus ideais de consumo – são expressos em vários momentos da peça, como quando Berger pede dinheiro a uma mulher que passava na rua: “Hey lady, can you spare a handout, something for a poor Young psychodelic teddy bear like me?”. A frase final da sentença de Berger, além de cômica, é uma óbvia alusão à visão do dinheiro como um meio para a sobrevivência, e não como algo a ser acumulado: “To keep my chromosomes dancing”. Além disso, o protesto contra a Guerra do Vietnã é muito forte na peça, e seu caráter pacifista está presente em quase todas as músicas e diálogos – que felicidade podemos ter, qual alegria pode existir em um mundo imerso em guerras e conflitos? “Riped open by metal explosion/Caught in barbed wire/Fireball/Bullet Shock”.

Tendo estreado na Brodway em 1968, a peça rapidamente ganhou versões em outras cidades norte-americanas e mesmo em outros países, como Alemanha, Japão e Austrália. No Brasil, a peça estreou em outubro de 1969, com direção de Ademar Guerra e versão de Renata Palottini, e ganhou novas conotações e significados em um país no qual, graças ao então recém-editado AI-5, vivia uma guerra interna.

Entre os que viram alguma versão da montagem teatral original costuma haver um certo desconforto em relação à versão cinematográfica, o que é compreensível, posto que alterações muito significativas foram feitas. O filme do diretor Milos Forman, feito em 1979, é muito diferente do texto original, e essa característica precisa ser entendida considerando que a estrutura da peça, por ser fragmentada, ao invés de apresentar uma narrativa linear, contribui para que cada adaptação modifique e reorganize a história da maneira que considerar mais adequada. Para dar uma ordem cronológica aos inúmeros fragmentos, músicas e diálogos, o roteirista Michael Weller resolveu focar a história em um romance entre Claude e Sheila – o que não faz sentido dentro da lógica de amor livre pregada pelos hippies da Tribo, mas funciona como recurso cinematográfico. No filme, Claude é o personagem principal, agora apresentado como um caipira de Oklahoma que vai a Nova York passar dois dias antes de se apresentar ao Exército. Na peça, Claude e Berger – representados na Broadway por Rado e Ragni, respectivamente – lideram a tribo e tem o mesmo peso dramático. Claude não é, como no filme, um interiorano que só chega a se integrar ao grupo depois de muitas resistências.

O final também é totalmente diferente nas duas versões – no último ato da peça, Claude corta seu cabelo, entrega-o a Berger e, após ser chamado insistentemente por Dad para se juntar ao Exército, entra na fila e segue em frente: parte para o Vietnã. Já no filme, Berger, ao tentar ajudar Claude a sair do quartel para ver os amigos, acaba embarcando em seu lugar; um dos momentos finais, embalado por Let the Sunshine In, mostra a Tribo reunida diante da lápide de Berger.

Falar sobre Hair é, inevitavelmente, se envolver em uma atmosfera de liberdade – não só pelo caráter contestador e revolucionário da peça, como pela deliciosa ousadia de criar uma obra que consegue, apesar de seu caráter utópico, fazer com que cada leitor e cada espectador realmente acredite em um mundo no qual as pessoas podem gritar “Walla Walla Goona Goona”, proclamar a alegria de poder dizer a todos “I got life mother/I got life sister/ I got freedom brother”, balançar os cabelos cantando “Give me a head with hair/Long beautiful hair/Shining gleamin streaming”.

Vai lá.

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Tati.





Os ícones da moda nos anos 70

20 08 2008

Clipping preguiçoso.

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Conheça os ícones da moda dos anos 70
Elis Martini
Especial para o Terra

Quando se fala em anos 70, a maioria das pessoas pensa em batas, cabelos longos e calças bocas-de-sino. Porém, essa década foi muito mais rica. Seu início herdou a estética hippie dos anos 60 e presenciou o surgimento do glam rock e a ascensão do black power. Seu final viu o boom das discotecas e o estouro do punk e do new wave, que formariam as bases da década de oitenta. Confira agora quem ditou moda e comportamento nessa movimentada década.

1970-1976
O início da década de setenta foi uma continuação do pensamento e da estética hippie surgidos nos anos anteriores. As batas e os vestidos indianos, as calças boca-de-sino e todos os elementos que compunham o visual hippie se popularizaram cada vez mais, virando itens fashion. Apesar de grandes nomes desse movimento, como Janis Joplin e Jimi Hendrix, terem morrido justamente no ano de 1970, e Jim Morrison, em 1971, essas personalidades continuaram a inspirar jovens do mundo inteiro na maneira de se vestir e de se comportar. Outra grande influência foi banda de rock Led Zeppelin, que reinou soberana durante toda a década, misturando a estética hippie com o rock n’roll.

No Brasil, um dos grandes ícones da juventude foi Caetano Veloso, que, junto com seus companheiros do movimento tropicalista, mudou a maneira de se vestir e pensar de milhares de jovens brasileiros da época, mesmo sob o controle de uma forte ditadura militar.

O início dos anos 70 presenciou a explosão do movimento black power, que incitava os negros a aceitarem sua pele e seus cabelos do jeito que são naturalmente – daí surgiu o famoso penteado que leva o nome do movimento. Um dos ícones dessa mudança foi a ativista americana Angela Davis, que lutou pelo direito dos negros nos Estados Unidos, apesar de fortes perseguições. No Brasil, o penteado chegou através de Toni Tornado e de Tim Maia.

Foi uma febre tão grande que até quem não tinha o cabelo propício para fazer um ‘black power’ dava um jeito de encrespar. Assim, em meados da década de setenta, até Jô Soares, Marcos Paulo e os cantores Roberto e Erasmo Carlos desfilavam seus penteados black power.

Os anos 70 também presenciaram o surgimento do movimento glam rock. Em 1972, David Bowie lança o álbum Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, que se tornou um marco do estilo. Nos seus shows, o cantor usava roupas brilhosas, cabelo vermelho e muita maquiagem, dando início a um movimento andrógeno que se espalharia pela Europa e pelos Estados Unidos. Outros grandes nomes do glam rock são Marc Bolan, líder da banda T-Rex, e o grupo New York Dolls.

(…)

Fonte: Terra

Tati





Doces Bárbaros

1 08 2008


Prisão de Gil por porte de maconha em Florianópolis, acho que 1976 (detalhe para a vontade de rir da sentença…)


Bethânia e Gal, “Esotérico”

Bom final de semana…

Tati





túnel do tempo

2 06 2008

nhaí, people.

quem tiver de bobeira pela internet, dá uma fuçadinha aquió: Seventies Design . é bem interessante, até… são quase 300 fotos da década de 70, carros, moda, arte, design, etc e blah…

eeeeeeee, quem tiver em dúvida do que dar no dia dos namorados ( e tiver de quebra um international credit card), pode dar uma conferida aquiótb: Fabulous 50th Birthday Gift Ideas . É o seguinte, você pode levar pra casa um BOX de Woodstock Candies, cheio de balinhas, chocolates e coisinhas que remetem ao verãaaaaaaao do amor. A idéia original é da caixinha servir como presente de aniversário de 50 anos, mas, aos que têm saudade do que não viveram, acredito que sirva como mimo!

Quem sabe a tati, única do trio in love, ganhe e divida com as amiguinhas…rs

beso





Com atraso, com afeto

5 05 2008

Muito trabalho na semana de feriado. Deste vez, o clipping psicodélico abre caminho para o auto-jabá. Não é sempre que dá para falar destes assuntos na imprensa tradicional, falando para o público conservador.

Descobridor do LSD morre aos 102 anos
Por TATIANA DE MELLO

Hofmann
GURU Hofmann na década de 40, quando descobriu o LSD, e ao completar 100 anos

Não é exagero dizer que o mundo (ou, pelo menos, a música) não seria o mesmo se o cientista suíço Albert Hofmann não tivesse descoberto por acaso, em 1943, uma substância chamada dietilamida do ácido lisérgico, o famoso alucinógeno LSD. Ele fazia experimentos em busca de medicamentos para doenças circulatórias e respiratórias quando começou a se sentir zonzo após entrar em contato com a substância. Três dias depois, aumentou a dose e sentiu, em suas palavras, “toda a expansão de consciência proporcionada pelo remédio”. Hofmann percebeu que os efeitos alucinógenos poderiam ser usados, sob controle, para tratamento de transtornos mentais. O laboratório em que trabalhava, o Sandoz, patenteou a droga. Ela foi ministrada por médicos até 1966, quando acabou sendo proibida nos EUA. Desde então, o cientista travou uma batalha em defesa do LSD, criticando o consumo recreativo da droga que descobrira. Ele morreu de infarto, na terça-feira 29, aos 102 anos.

Box Hofmann

Tati





Ciclo sobre contracultura leva música, cinema, teatro e debates ao Sesc Pompéia

16 04 2008

Hey babes, hoje tem debate mediado pelo graaaaaaaaaande Alex Antunes, olha só:

Debate a partir da questão O que é Contracultura. O termo contracultura é um neologismo atribuído a Theodore Roszak, que o teria usado pela primeira vez em 68. Mas, na atribulada passagem dos anos 60 para os 70 (e mesmo em suas reverberações nas décadas seguintes) nem sempre é fácil estabecer com precisão o peso e a correlação entre os seus diferentes ingredientes: políticos, sociais, comportamentais etc. Debatedores: Ana Maria Bahiana (jornalista e cineasta), Rogerio de Campos (jornalista e editor da editora Conrad), Roberto Piva (poeta). Mediação de Alex Antunes (jornalista). No Cine Beatnik, na Área de Convivência. Retirada de ingressos gratuita no dia da atividade, na bilheteria.

Maiores detalhes aqui embaixo, ó:

Da Redação do UOL
A partir desta quarta-feira (16) tem início o ciclo “Vida Louca, Vida Intensa – Uma Viagem pela Contracultura” no Sesc Pompéia, em São Paulo. Com atrações musicais, teatrais, exposição de cartazes e uma seleção de 27 filmes, a mostra abrange diferentes expressões da contracultura, palavra difundida no fim da década de 1950 para designar o que se diferenciava das manifestações artísticas predominantes na sociedade da época.

Entre os destaques da programação estão o show da banda suíça Young Gods, uma apresentação de jazz em tributo ao poeta e artista britânico William Blake, peça teatral baseada na vida e obra de Hilda Hilst, leitura de poemas de Ana Cristina César e uma instalação cenográfica no espaço de convivência do centro cultural, que tenta reproduzir, por meio de sons e imagens, a atmosfera da contracultura do fim da década de 1950 até a década de 1980.

No espaço da instalação cenográfica haverá ainda o espetáculo “Intervenção Antropofágica”, envolvendo dança, teatro, literatura e música, sob o comando da Cia. Nova Dança 4.

A seleção de filmes dialoga com as demais atrações e abrange curtas do escritor William Burroughs, o longa “The Trip” (1967), filme sobre o uso de LSD dirigido por Roger Corman, “Naked Lunch” (1991), adaptação de obra de Burroughs feita por David Cronenberg, além de uma sessão dedicada a Andy Warhol com dois filmes – um sobre a vida do artista, “Scenes from the Life of Andy Warhol”, e outro dirigido por ele, “Vinyl” (1965). Warhol também aparece na direção de outra produção que será exibida, “The Velvet Underground and Nico” (1966), que mostra imagens da banda nova-iorquina liderada por Lou Reed.

A literatura tem destaque no ciclo com o sarau “Noites Sujas: Nuvem Cigana”, que comemora os 30 anos do grupo de escritores cariocas Nuvem Cigana, formado por Bernardo Vilhena, Chacal, Charles Peixoto e Ronaldo Santos. “Vida Louca – Vida Intensa” apresenta também seminários sobre contracultura e tropicalismo.

O ciclo tem curadoria do jornalista e designer Eduardo Beu e segue até 22/6 no Sesc Pompéia, em São Paulo. Consulte a programação completa do evento no site www.sescsp.org.br .

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“VIDA LOUCA, VIDA INTENSA – UMA VIAGEM PELA CONTRACULTURA”
Quando: de 16/4 a 22/6
Onde: Sesc Pompéia (rua Clélia, 93, tel.: 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: entrada gratuita em exposições, filmes, seminários, performances de teatro, dança e sarau literário; entradas cobradas apenas em shows (consultar preços no site www.sescsp.org.br )

Quando sobrar mais um tempinho, eu posto os destaques da programação! Tem mtaaaaaaaaa coisa boa!

Aline ;-)





Psicodelia brasileira recomenda: Psicodelia no Auditório Ibirapuera

30 03 2008

VIOLETA DE OUTONO TRAZ ROCK PSICODÉLICO AO AUDITÓRIO IBIRAPUERA

Cultuada banda paulistana apresenta último trabalho, Volume 7

Com 23 anos de estrada, muito lirismo e psicodelia, a banda Violeta de Outono incorpora influências de bandas inglesas dos anos 70, como Camel, Caravan e Soft Machine, no palco do Auditório Ibirapuera.

No repertório seu sétimo disco, Volume 7, com oito composições novas que destacam o trabalho do órgão Hammond, órgão elétrico desenvolvido por Laurens Hammond como uma alternativa de baixo custo ao órgão de tubos. O instrumento acabou sendo usado para o jazz, blues e então para uma extensão do rock and roll, nas décadas de 1960 e 1970.

No palco os músicos Fábio Golfetti (guitarra e voz), Cláudio Souza (bateria), Fernando Cardoso (órgão Hammond, piano e moog) e Gabriel Costa (baixo).

O show contará ainda com as participações especiais de Manito e André Peticov. Manito integrou o Som Nosso de Cada Dia, banda brasileira seminal dos anos 70 e também foi o criador dos Incríveis, ao lado de Netinho, nos anos 60. Andre Peticov ficou conhecido por fazer os cenários e efeitos visuais nos shows psicodélicos do Mutantes ao lado do irmão, o artista plástico Antônio Peticov.

O Violeta de Outono surgiu na metade dos anos 80, em São Paulo, e se manteve fiel ao seu som, fazendo uma música que mistura rock dos anos 60 ao experimentalismo do rock progressivo dos anos 70.

A banda é conhecida por seu som hipnótico de influências psicodélicas, e suas apresentações ao vivo são sempre marcantes devido à atmosfera viajante e às longas passagens instrumentais, levando o público a um estado de transe.

Dias: 30 de Março de 2008
Horário: Domingo, 18h
Duração: 90 minutos (Aproximadamente)
Ingresso: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada)
Gênero: Rock Progressivo
Classificação Indicativa: Livre

Programação:

Volume 7
Participações especiais: Manito e Andre Peticov
Parcerias: Hammond, Suprisul e Kiss FM





1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies

9 03 2008

já foi… mas vale ficar sabendo!

CULTURA PERIFÉRICA
Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros
Eleilson Leite

No próximo domingo, dia 9 de março vai acontecer a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. O evento terá lugar na Praça do Campo Limpo, gema da periferia da Zona Sul de São Paulo. A parada começa às 10h e segue até às 20h. A idéia, segundo os organizadores é reunir o maior número de “sobreviventes” da cultura hippie, promover uma feira, curtir um som e, com isso, reiniciar um movimento que teve seus tempos de glória, no Brasil, nos anos 70. Se nos EUA os hippies escolheram uma bucólica fazenda no Interior do Estado de Nova York para celebrar a paz e o amor, no final da década de 60, o Woodstock paulistano fica num dos picos periféricos mais adensados e conflituosos da Capital. Mas ser hippie hoje, em nossa terra, só na periferia. É na quebrada que a pregação do amor e da liberdade faz mais sentido. Tanto como valor intrínseco às comunidades , como demanda às autoridades. Mas ser hippie é coisa também de quem gosta do Raul Seixas — patrono do evento, juntamente com Bob Marley. Nada mais justo que essa homenagem ao Raul.

Raul Seixas já era um ídolo para os hippies dos anos 70 e 80. Mas virou um mito para parte da geração que tem hoje vinte e poucos anos e sequer viu uma apresentação do compositor baiano. O organizador da Mostra de Cultura Hippie, Valdecir Jr., conhecido como Jotta Erry, é um exemplo dessa rapaziada. Tem apenas 24 anos. E olha o perfil do cara. Terminou o segundo grau e ainda aspira à faculdade. Mora na periferia, trabalha na ONG Rede Rua, como educador junto às pessoas que vivem nas calçadas e sob viadutos. Jotta Erry é fã do Raul e toca reggae na banda Raízes de Javé. É um típico artista da periferia: talentoso, solidário, empreendedor e ativista. Quando o Raul morreu, tinha apenas 5 anos. Não pôde vê-lo em ação, mas embalará, com seu evento, os ideais da Sociedade Alternativa, defendida pelo seu ídolo.

Eu sou dos anos 80 e acabo de fazer 40. Vi dois shows do velho Raul. Sinto-me um privilegiado. Mesmo naquela época, era rara uma aparição do Maluco Beleza nos palcos. E quando aparecia, não era garantia que o show rolasse. Raul chegou a ser preso em 1982, acusado pela platéia de ser um impostor. A treta rolou em Caieiras, município da Grande São Paulo. Ele entrou no palco pra lá de bêbado e não conseguia lembrar as letras. A galera irada foi às vias de fato. Raul saiu escoltado e foi dar explicações na delegacia mais próxima. Parecia ser o fim.

Mas ele ressurgiu. No ano seguinte, no dia 26 de fevereiro, mais de 10 mil pessoas lotaram o ginásio do Palmeiras para ver o retorno épico de Raul Seixas. E eu estava lá. Havia acabado de fazer 15 anos. A platéia, ansiosa, alternava momentos de confiança e descrédito. O cara entrou no palco, já passava da meia noite. Se o Raul não aparecesse naquela noite, talvez o ginásio do Verdão viesse abaixo, literalmente. O público delirava e Raul, não bastasse o inusitado de sua presença, resolveu surpreender ainda mais. Com Tony Osanah na guitarra, e Miguel Cidras nos teclados, só tocou clássicos do rock norte-americano dos anos 50. Em tom professoral, introduziu sua aula: “o rock começou no Mississipi, nos anos 50 com Arthur Big Boy Grudup, que influenciou um cara chamado Elvis Presley com uma canção mais ou menos assim…”. E mandou My baby left me. E assim foi durante um pouco mais de uma hora. Nada de Gita, Maluco Beleza, Ouro de Tolo. O povo gostou, mas reclamou. No fim, valeu pelo momento histórico. Quem quiser conferir é só ouvir o CD lançado pela Eldorado contendo o registro deste show.

Raul morreu em agosto de 1989, e foi então que os universitários enterraram o cara mesmo. Mas acontecia um movimento inverso, nos bairros de periferia
Depois desta apresentação, mais um período de ostracismo e internações, até que Raul entrou em estúdio, depois de três anos sem gravar. Tirou do forno um grande disco. Trata-se do Raul Seixas, álbum que veio ancorado em dois mega sucessos: Carimbador Maluco e DDI, rocks bem ao estilo Raul, fã incondicional de Elvis Presley. Comprei o disco no dia em que chegou nas lojas. Lá no bairro, fui o primeiro a chegar com a novidade. Reunimos a galera e nos deliciamos com as novas canções. Raul estava de volta. E voltou com gás. Dava entrevistas, participava de sessões de autógrafos. Chegava três horas atrasado, é verdade, mas aparecia. Fui a uma dessas sessões, numa loja no Top Center na Av. Paulista. Estava marcado para as 11h. Negociei no trampo uma hora a mais de almoço. Cheguei pontualmente. A fila era enorme. Deu meio dia e nada. Muita gente desistiu. “O Raul não tem jeito” resignavam-se os fãs menos convictos. Meu acordo era de estar de volta ao escritório as 13h. Liguei em casa. Pedi para meu irmão de apenas doze anos vir me substituir na fila. Morava na periferia da Zona Norte. O moleque chegou as 13h20 e o Raulzito nada de aparecer. Tomei bronca do chefe e fiquei sem almoçar naquele dia. Lá pelas 14h30, liga o garoto. “E aí, ele apareceu?”, perguntei incrédulo. “Apareceu, mas o autógrafo ficou no meu nome”, respondeu o mano. Naquele dia entendi o significado da expressão “gozar com o pau dos outros”. Guardei a relíquia por muitos anos.

Não sei bem a data, mas fui ver o show de lançamento deste disco, agora, que ironia, no Ginásio do Corinthians. Era 1984. Raul faria apenas um show. Com ele, não tinha esse negócio de temporada. Tampouco, os empresários topavam qualquer acordo do gênero. O risco de furo era permanente. Novamente, casa lotada. Tinha quase 10 mil pessoas, imagino. Dessa vez, o público estava confiante. O Raul estava bombando nas rádios e na TV. Até no Balão Mágico, programa infantil da Globo, para o qual escreveu Carimbador Maluco, ele aparecia. Vivia um momento de astro. Na abertura, nada menos que as duas maiores bandas de rock da época: Tutti Fruti e Made in Brazil. Raul entrou triunfante no palco. Uma banda super afinada com Tony Osanah e Miguel Cidras novamente o acompanhando. Mandou super bem os sucessos do momento e do passado. Uma glória. Este era o velho Raul. O público curtiu sem muita ansiedade. O clima era de paz e amor. Acabado o espetáculo, a multidão saiu pelas ruas do Tatuapé, como se estivesse numa procissão. Um puxava os primeiros versos de uma canção e os demais seguiam em coro. Muita gente sentou na porta da estação do Belém do Metrô e por ali ficou até as 5h esperando o portão abrir, cantarolando Raul sem parar, em rodas regadas a vinho Natal, comprado nos butecos especializados em atender os insones que vagueiam na madrugada. Eu subi num buzão na Av. Celso Garcia. Segui para o Centro e de lá, as 4h peguei o Negreiro, nome que se dava ao ônibus que cobria a rota para as periferias depois da meia noite. Percebi que muita gente fazia o mesmo itinerário.

Quando entrei na USP, em 1988, comprovei que a classe média ilustrada e politizada torcia o nariz para o Raul Seixas. O pessoal gostava dos medalhões da MPB (Chico, Caetano, Gil, Milton, etc.) e da Vanguarda Paulistana, que ainda gozava de amplo prestígio: Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Premeditando o Breque entre outros. Rock? Ah, era a nova geração: Titãs, Paralamas, Legião Urbana, Barão Vermelho, Lobão e toda essa galera. Bom. Eu gostava de tudo isso, mas não tirava o Raul do topo de minhas preferências. Sentia-me meio um ET, nas conversas na mesa do bar. Saquei que meu apreço pela Raul tinha a ver com minha procedência. Muitas vezes, eu era o único ali que veio do subúrbio. Ser da periferia na USP, naquele tempo, era algo tão improvável que até moradia estudantil eu consegui. Lembro-me que a assistente social foi até em casa para checar minhas “condições de vida”. Assinou na hora a aprovação de minha vaga no CRUSP e ainda me deu bolsa-alimentação.

Para meus amigos, curtir Raul era coisa de “bicho grilo”, expressão desdenhosa para se referir aos hippies que insistiam em manter a conduta paz e amor. O Raul morreu em agosto de 1989, e aí que os universitários enterraram o cara mesmo. Mas acontecia um movimento inverso, nos bairros de periferia. Crescia a legião de fãs do Maluco Beleza. E muitos jovens aderiram à Raulmania, formando fãs-clubes, grupos de discussão sobre a Sociedade Alternativa, e tudo mais. Olha que louco! Essa galera saía em bandos para ver shows de artistas covers do Raul. Em apresentações de outros artistas era comum gritarem do meio da platéia: “Toca Raul!”. Virou um bordão. O Zeca Baleiro tem brincado com isso em seus shows. No programa BR 102 da Rádio Kiss FM tem lá uma seção “Toca Raul!”. Outro dia fui ver uma apresentação de um cover do Raul no Ibira Moto Point, encontro semanal de motoqueiros no Ginásio do Ibirapuera. Tinha uma multidão. A rapaziada era toda da periferia. Entrei no meio e curti um bocado. Notei que lembrava a letra inteira de dezenas de canções. Tornar-se fã do Raul é como andar de bicicleta. Você pode ficar um tempo inativo, mas não capota da magrela nunca mais.

Que bom ver agora esta belíssima iniciativa da Primeira Mostra Cultural Arte dos Hippies, que vai rolar no Campo Limpo, no próximo domingo. Entre as 8 bandas programadas para subir no palco evento, uma delas só toca Raul. É a Tecora. Todas as demais são de Reggae. Jotta Erry me explicou que os hippies estão muito ligados no som da Jamaica. “O reggae virou a trilha sonora dos que seguem o estilo de vida hippie”, diz o educador. Mas o Raul está no coração de todos e é inspiração permanente. “A galera se reúne em grupos e nas rodas só dá Raul”, completa Jotta Erry. O Maluco Beleza estará onipresente. Raul Seixas continua sendo negligenciado ou mal-compreendido pela elite, pela intelectualidade. Mas na periferia, ele é reverenciado. Toca Raul!

Mais:
1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies:
Dia 09/03 (domingo), das 10h às 20h.
Praça do Campo Limpo – Estrada do Campo Limpo s/n.
Entrada franca. (11) 9969-3181 c/ JottaErry.
bandaraizesdejave@yahoo.com.br

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Aline





Newsssssssssss

3 12 2007

Hey gente bege, tem novidade neste humilde blog.

Montamos uma pagininha (BAIXAKI) com links para download de música psicodélica, ok? Como faz tempo que baixamos e tals, pode acontecer do link que postamos estar inativo e etc e tals… caso isso ocorra, deixa um comentariozinho, avisando, vai?

Servimos bem pra servir sempre!

Aline





Trechos, pareceres e outras formas psicodélicas de escrever

1 11 2007

Bueno, estamos na reta final final do final do finalzinho MESMO.  Cinco capítulos já foram revisados e entregues para a diagramação, feita pelo GRAAAAAAAAANDE Thiago – que tem quebrado um galho gigantesco, afinal, lidar com três meninas loucas sem a menor noção de gráfica, impressão, diagramação e afins não é fácil.

Estamos tentando marcar um dia com o calanca para poder fotografar direito as capas dos discos que vamos citar no livro.

Também já começamos a correr atrás de avaliadores pra banca. Até agora, pensamos em Carlos Calado e Fábio Massari… espero que aceitem…

Mas, o bom é que tá tudo liiiiiiiiiindo, como diria Caetano. E pra aproveitar os dizeres alheios, como enfatizaria Lanny Gordin: Mais um dia.

UFA!

Para instigar os que curtem nosso trabalho… aqui seguem alguns trechos dos capítulos prontos:

Introdução

Imagine uma sociedade cinzenta. Nessa sociedade, havia um oásis colorido. Pense em paz, amor, Woodstock, Monterey, guitarras de Hendrix, tons de Joplin, Greatful Dead, The Mamas & The Papas, Ravi Shankar, Steppenwolf, Beatles, Rolling Stones.  Adcione pitadas de excentricidade brasileira: batons vermelhos, roupas berrantes, cores. Flores. Muitas flores. Punhados de lisergia, cogumelos, peiote, LSD, maconha, jurema, ayhuasca. Cabelos compridos, barbas mal feitas, pensamentos indomáveis, repressão, Carlos Castañeda, ditadura, Thimoty Leary.  Jeans desbotados, bordados, roupas usadas, batas indianas, vestidos e saias compridas, tecidos naturais. Cheiro de Patchouli.

Misture com liberdade em grandes doses. Muita liberdade. Encha a mão, não tenha medo, porque esta, além de dar gosto, dita o caminho. Aproveite os tão renegados instrumentos elétricos e coloque junto alguns batuques e tambores afro, sanfonas, triângulos e tudo que lhe parecer interessante da cultura tupiniquim. Embarque na levada da Tropicália e siga sempre rumo à inovação. Contra o arroz e feijão, a macrobiótica. Plantações de inhames devem vir antes dos enlatados.

Não simplifique! Arranjos em quatro por quatro não são bons sinais. Ouse. Invente. Transgrida. Por que não um sete por três? O impossível não existe. Solos de guitarra, baixo, bateria, flauta, zabumba, cítara, que passem dos dez minutos levarão o público à loucura. O negócio não é ser pop, mas sim criar um novo jeito de tocar. Junte todas as tribos – hippies, cocotas, caretas, desbundados – este último em maior escala. Religiões orientais podem dar um tempero extra. Transcenda-se.

Pense nisso tudo concentrado, feito em acetato e tomando forma de vinil. Deixe maturando por pelo menos trinta anos, até uma nova geração resgatar o bololô e exigir explicações para tentar entender o que saiu dali. As boas histórias são o que valem e as lembranças dessa época brilhante e colorida ficarão gravadas para sempre. Agora em forma de livro.

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Módulo 1000

Em um show em Brasília, em 1972, tudo corria como de costume. Os garotos subiram no palco, tocaram, foram bem recebidos, até começarem os primeiros acordes de “Turpe est…”. Imediatamente subiram quatro homens vestidos com ternos pretos, óculos escuros, e começaram a desligar os cabos dos instrumentos no meio da apresentação. Levaram a banda para  a direção de um carro. Fizeram-nos entrar. “A única coisa que eu pensei nesse momento é que iria morrer. Adeus, mamãe; adeus, papai; adeus, maninha; adeus, Zepelim – meu rato de estimação”, brinca Romani. Ficaram todos dentro de uma salinha enquanto os homens da censura perguntavam qual era a mensagem subversiva contida naquela música. Em certo ponto perceberam que os meninos diziam a verdade e que, o único fato em questão, era o de que eles acabaram de pagar um grande mico. Liberaram o Módulo 1000. Hoje, uns lembram-se do causo enquanto outros juram que ele não aconteceu.

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Nordeste

A I Feira Experimental de Música do Nordeste, que aconteceu em onze de novembro de 1972, reuniu a “juventude prafrentex” de Recife. O “Woodstock cabra da peste” não deixou nada a dever para o original californiano: lendas dão conta que a platéia divertia-se tomando ácido dissolvido em baldes de Q-suco. Foi entre aquele “pôr e nascer do sol” que subiu ao palco uma recém-formada banda, ainda sem nome, composta por jovens músicos da periferia do Recife.

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Ronnie Von

Na mídia, o fracasso retumbou. À época do lançamento, apenas dois jornais – “malucos”, diria o cantor – deram aval positivo à pérola psicodélica. O Jornal do Brasil, no Rio, com a manchete “A que veio Ronnie Von” e o Estado de S. Paulo, com duas páginas sob o título “Ronnie, esse desconhecido”. O resto “descia o pau”.  “Eu me senti, assim, um ladrão da gravadora. ‘Pegou o dinheiro e jogou fora’. Eu era profundamente perseguido por muita gente, era uma coisa sistemática. Tinha um jornalista, não me lembro o nome, que escrevia vinte notícias: dezenove de futebol e uma era sempre ‘Ronnie Von é homossexual’, ‘Ronnie Von é ladrão’, ‘Ronnie Von é não sei o que’”, desabafa. E o fracasso refletiu na auto-estima já abalada do não mais “Pequeno Príncipe”.

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Serguei

Serguei chocava com sua posição andrógena anos antes de Ney Matogrosso surgir com os Secos e Molhados. “Hoje se fala muito em Marylin Manson. Eu já era Marylin Manson antes de Marylin Manson existir!”, compara, fazendo questão de lembrar que foi um dos primeiros a usar interlace (técnica de entrelaçamento de fios para fixar perucas) no país e que adotou de vez as flores como acessórios quando Rita Lee um dia as colocou em seus cabelos. “Fica tão bem em você”, disse na ocasião a vocalista dos Mutantes, grupo “altamente psicodélico”, segundo ele. “Rita Lee é a rainha do rock no Brasil. Pode gravar até disco music, não tem problema, coração. Ela tem um toque de Midas do rock’n’roll, onde bota o dedo vira rock”, derrete-se.

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Som Imaginário 

Nessa época, Zé Rodrix e Tavito moravam juntos, em uma espécie de comunidade com o guitarrista Marco Antônio Araújo. O trio constituía a “Família Matadouro”, devido à enorme quantidade de mocinhas arrebatadas por eles. Funcionavam como um relógio: os músicos dormiam das 6h às 10h da manhã, iam à praia, em Copacabana; voltavam da praia, normalmente com uma garota, e dormiam até as 18h. Acordavam, tomavam banho e iam para os shows, e depois seguiam para o Sachinhas, de onde só saíam às 6h da manhã. Em casa, só andavam nus. Para ter algum controle, penduravam avisos como “nesta cama é proibido trepar”. Às vezes, doidões, passavam o dia todo desenhando. E sempre esqueciam de pagar a conta de luz. Um dia, tomaram um ácido e a luz foi cortada; acenderam um lampião e ficou a família toda viajando ao som de The Band. Em outra ocasião, foram fazer turnê em BH por uma semana. Na volta, quando eles chegaram no hall do apartamento, deram de cara com uma desagradável surpresa. “Quando a gente olha, tinha vermes saindo pela porta. Uma trilha que ia até a geladeira. Tinha acabado a luz e na geladeira apodreceu bife, carne”, lembra Zé Rodrix.

Aline